Por Alcir Alves de Souza

É um paradoxo pensar em empatia de políticos por ferroviários. É inegável que, pelo menos, nas duas últimas décadas, nenhum congressista preocupou-se em apoiar a nossa classe, ajudando-a, direta ou indiretamente, na conquista de seus direitos.

É uma casta que, penso, não merece o nosso aplauso, o nosso apoio, uma vez que só se lembra do eleitor em ano de eleições. São como o vai-e-vem das ondas do mar, que vão e retornam. É preciso se estar atento a isso.

O esforço empreendido por grupos de abnegados companheiros, a ressaltar os que integram a Comissão Paritária Especial, tem sido inútil, posto que, de concreto, nenhum êxito alcançou, até o presente momento.

ATENÇÃO FERROVIÁRIOS DE SÃO PAULO! O ex-ministro da Infraestrutura, TARCÍSIO DE FREITAS, candidato do Presidente BOLSONARO, para concorrer ao Governo do Estado de São Paulo, já começou a sua pré-campanha, saracoteando pelos municípios e cidades daquela unidade da Federação, para recrutar votos.

Em sua longa gestão, à frente do referido Ministério, nada fez de modo a merecer os votos dos eleitores ferroviários. E mais, em nenhum momento se mostrou disposto a resolver os problemas que lhe foram alçados pela COMISSÃO representativa da classe. Afinal, detinha os poderes nas mãos, ou seja, a competência para resolvê-los, posto que tinha a dever-lhe obediência, como subordinada à sua Pasta, a famigerada VALEC, vilã nesse imbróglio que se criou, PRÓXIMO DE COMPLETAR OITO ANOS.

Como disse, recentemente, em texto publicado neste BLOG, não creio em promessas de autoridades, muito menos de políticos, até vê-las cumpridas.

Ainda que remotamente, situações pontuais podem ocorrer, a exemplo do gesto do senador JORGINHO DE MELLO (vice-líder do Governo, no Senado e no Congresso), que, demonstrando boa vontade com membros da COMISSÃO, encaminhou ofício ao ministro da INFRAESTRUTURA, cobrando-lhe a adequação da Tabela Salarial dos Ferroviários, ressaltando o número reduzido de aposentados e pensionistas, desde a extinção da estatal.

A medida, embora consistente apenas no envio de um ofício, não deixou de ser relevante, sendo vista com empatia por todos que dela tomaram conhecimento. Entanto, passados mais de dois meses da remessa do documento ao MINFRA, não se tem qualquer notícia sobre o assunto nele ventilado. Um desfecho já esperado, que não chega a surpreender.

Com o devido respeito ao aclamado senador, ouso fazer-lhe uma pergunta: Por que, com o tamanho prestígio e a influência que tem, ao conhecer de um problema tão angustiante, tão avassalador, não se sensibilizou, a ponto de empenhar-se em fazer mais pela classe? Qualquer que seja a resposta do nobre político, registro aqui, o meu agradecimento, com profundo reconhecimento pela ajuda. Afinal, o que aparenta ser pouco, hoje, de repente, poderá reverter-se amanhã, trazendo respostas positivas aos nossos anseios. 

ALC IR ALVES DE SOUZA 

Ferroviário/Advogado)