Por Paulo Leite – economista, ex-diretor financeiro da REFER

O momento atual para toda a classe ferroviária é de apreensão, diante do descaso demonstrado pela Direção da VALEC no tratamento dos efetivos direitos daqueles que ainda integram o Quadro de Pessoal suplementar, transferidos que foram para VALEC, uma vez que, juntamente com aposentados e pensionistas, seus salários e, consequentemente, suas aposentadorias estão defasadas, pois ainda vigora as tabelas salariais de maio de 2017.

Aos dispensados da RFFSA e da CBTU pelos Planos de Desligamento Voluntário – PDV oferecido aos ferroviários em serviço na VALEC-Engenharia e os da CBTU, em condições de aposentadoria, a REFER apresenta-se como um PORTO SEGURO em garantia de uma qualidade de vida mais tranquila para suas existências.

Covardemente, milhares de ferroviários ativos, aposentados e pensionistas, uma grande maioria em idade avançada, têm seus direitos desrespeitados pela empresa madrasta. A VALEC…

No entanto esquecem a importância mais que centenária da ferrovia no Brasil. Foi um dos fatores decisivos para sua interiorização e desenvolvimento, transportando sobre trilhos nossa gente e nossa produção agrícola e industrial.

Povoados que cresceram transformando-se em Cidades e Capitais dos Estados Brasileiros foram beneficiados pelos trilhos que chegavam às suas terras.

A movimentação sobre trilhos não pode prescindir do trabalho diuturno daqueles que de maneira incansável operam locomotivas, vagões e ainda toda infraestrutura que permite a entrega com segurança e pontualidade de toda a riqueza transportada.

Eis aí o que constitui a Classe Ferroviária hoje esquecida e relegada a plano inferior às demais classes trabalhadoras no Brasil. Fator determinante a essa triste situação que enfrentamos, sem duvida, foi à mudança no eixo do modal de transportes no País, passando para o “rodoviarismo” em detrimento da ferrovia e porque não mencionar também o marítimo.

A não renovação, desenvolvimento/modernização da ferrovia e a política de terceirização de segmentos ferroviários, praticamente, determinou o fim dos trilhos e porque não dizer da classe de trabalhadores ferroviários.

Trabalhadores ferroviários dispensados pelas Concessionárias, ainda sem tempo para aposentadoria, tiveram seus contratos de trabalho encerrados, sendo colocados “na rua” com situação agravada mais ainda pela situação do mercado de trabalho no País.

Em algumas das ‘“obrigações” das Concessionárias encontrava-se a de manter pequena parcela de trabalhadores da RFFSA em seus quadros, o que de fato ocorreu por alguns meses com a dispensa encerrado o prazo de carência estabelecido.

Assim, parcela significativa de trabalhadores das áreas administrativas da RFFSA, após a decretação de sua extinção como Empresa, passaram, então, a integrar um quadro de pessoal em extinção, vinculado a VALEC.

Diante do quadro descrito, em próximo artigo abordaremos a importância e o papel da REFER na vida dos seus participantes, aposentados assistidos e pensionistas.

Paulo Leite

Economista – Administrador

Ex-Diretor Administrativo/Financeiro da REFER