Por Fernando Abelha

Hoje, comemora-se universalmente, o Dia do Trabalhador. Ontem, os ferroviários deveriam comemorar o seu dia. Mas, que dia? O trabalhador ferroviário não tem mais o que comemorar. Abandonado por seus patrões – o governo – vive de pires nas mãos ou na bacia das almas, para colher alguma migalha. Que vergonha para nosso País ao assistir uma categoria organizada, constituída por trabalhadores valentes, que por mais de um século, diuturnamente, sob chuva e sol, movimentou riquezas do Leste ao Nordeste, do Norte ao Sul, por mais de 30 mil quilômetros de linhas férreas.

Chegaram a mais de 100 mil trabalhadores, que em 17 ferrovias, muitas administradas pelos ingleses e depois unificadas na Rede Ferroviária Federal S/A, faziam presença, cortando cidades, subindo serras correndo pelo litoral. Tudo era transportado. Pessoas e cargas. Bastava chegar às estações e despachar a sua mercadoria que, sem burocracia, chegava ao destino por um custo muito aquém do transporte rodoviário.

Mas, a sapiência de alguns dos nossos sábios governantes, a começar pelos Fernandos: Color de Melo e Henrique Cardoso, através de passos de mágica, e luminares decisões, sem qualquer planejamento, iniciaram os primeiros passos para liquidação das ferrovias, culminando nos governos posteriores com a concessão a um grupo de cinco ou seis empresários oportunistas, que fizeram das nossas estradas de ferro um amontoado de ferro velho, prevalecendo, tão somente em operação, os seguimentos que lhes transfere muito dinheiro no transporte de suas produções. O resto que se dane… Assim, massacram a categoria dos bravos ferroviários lhes negando todos os anos, até hoje, o justo salário atualizado pela inflação, somente conseguido após muita humilhação, através da justiça, em sua última instância trabalhista- TST; humilham o brasileiro que em um país continental dispõe tão somente do transporte ferroviário de massas nos grandes centros urbanos; aniquilaram com a indústria ferroviária. Muitas fábricas fecharam as portas, outras, através das demissões de milhares de seus metalúrgicos, adequaram-se a triste realidade; apunhalam os dirigentes governamentais que traídos pelos oportunistas empresários, hoje se veem submetidos às pressões dos transportadores rodoviários. Belo castigo…

Ferroviário, realmente, nada a comemorar…