Por Victor Serra

Diário do Rio – Empresas responsáveis por manutenção de vagões, peças, sinalização e outros serviços cobram valores em aberto deixados pela antiga concessionária.
A nova concessionária responsável pelos trens do Rio, a TrensRJ, comunicou ao governo estadual que fornecedores da antiga operadora, a SuperVia, têm valores em aberto e que a situação pode afetar a continuidade de serviços essenciais para o funcionamento da rede ferroviária.
O alerta foi enviado à Secretaria Estadual de Transportes (Setrans), à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e à própria SuperVia. No documento, a empresa informou que vem buscando alternativas para evitar impactos aos passageiros, mas destacou que a interrupção de contratos terceirizados pode comprometer atividades de manutenção e apoio operacional.
Entre os fornecedores que aguardam pagamentos estão empresas responsáveis pela fabricação de peças, recuperação de vagões, manutenção de motores, sistemas de sinalização, bilhetagem eletrônica, segurança e outros serviços técnicos. Uma delas cobra R$ 452 mil por reparos em vagões, enquanto outra aguarda o repasse de R$ 35,7 mil referente à revitalização de motores de composições elétricas e a diesel.
Também há cobrança de uma empresa de inspeções ambientais que realizou 78 testes de fumaça em locomotivas e máquinas de manutenção movidas a diesel. O serviço foi concluído em abril e a nota fiscal, no valor de R$ 10,5 mil, venceu em maio.
Equipamentos parados
Os efeitos da falta de pagamentos já aparecem em alguns pontos da operação. Segundo informações do jornal O Globo, escadas rolantes de estações como Méier e Madureira estão sem funcionar. Na estação Maracanã, o equipamento deixou de operar há cerca de duas semanas por falta de peça de reposição.
A dívida total da SuperVia com fornecedores ainda não foi divulgada. O maior passivo conhecido da antiga concessionária é de aproximadamente R$ 1,9 bilhão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), referente a financiamentos. A empresa encerrou a concessão no dia 29 de maio, após mais de 27 anos de operação, e permanece em recuperação judicial. Pelo contrato firmado entre o governo estadual e a TrensRJ, a nova permissionária não é responsável pelas dívidas deixadas.
Desafios da nova operação
A TrensRJ assumiu a administração de uma rede com 270 quilômetros de trilhos, 104 estações e atendimento a 12 municípios da Região Metropolitana do Rio. O contrato tem duração de cinco anos, com possibilidade de renovação pelo mesmo período.
Além dos problemas herdados da antiga gestão, a concessionária também aponta desafios relacionados à segurança. Segundo a empresa, 14 estações sofrem influência direta do crime organizado e a malha ferroviária passa próxima a 179 comunidades controladas por grupos criminosos.
A operadora ainda estima que cerca de 30 mil pessoas utilizem diariamente os trens sem pagar passagem, afetando a arrecadação do sistema.
