Pesquisa e edição por Luis Fernando Salles

Sem os investimentos da Vale como contrapartida da renovação antecipada da concessão de uso da ferrovia Vitória-Minas, as alternativas para o Espírito Santo ver o projeto de ferrovia ligando a capital ao Rio de Janeiro ainda seguem no campo das ideias.

Em audiência pública realizada em Vitória no final do ano passado para debater a prorrogação do contrato, o governo federal, representado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), apresentou a proposta de renovação do trecho Vitória-Minas sem dizer como a construção do trecho ligando o Estado ao Rio de Janeiro, que estava previsto e foi retirado da contrapartida para a renovação, poderá ser viabilizado.

Sem representantes da Vale na audiência, sobrou para a ANTT as críticas de representantes de vários setores da sociedade capixaba. Empresários, associações de moradores, líderes comunitários e demais entidades reclamaram da transferência dos recursos para a construção da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico).

O governo estadual, representado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, José Eduardo Azevedo, e pelos procuradores Alexandre Alves e Cláudio Madureira, também subiram o tom contra a modelagem da concessão.

“São basicamente três pontos. Primeiro é o valor da outorga da concessão (R$ 639 milhões), que não parece, com todo respeito, ter sido muito bem estruturado. Por se tratar de um recurso que será destinado para investimentos da União é um valor muito baixo. Em segundo lugar, o Estado recebe muitos impactos sociais e ambientais por conta da operação da Vale. É inadmissível que a contrapartida seja destinada para o Centro-Oeste. E, por último, o direito de passagem (uso da ferrovia por outras empresas) ainda é muito pequeno (cerca de 10% do fluxo da ferrovia). Precisamos discutir mecanismos para aumentar a circulação de cargas gerais, que não seja só o minério de ferro, sobre os trilhos da Vitória-Minas”, pontuou José Eduardo.

Fonte: Gazeta Online, Revista Ferroviária