Colaboração de Lidia Maria, Manoel Geraldo Costa
Trazendo esse assunto para conhecimento de todos. “Com o propósito de conferir maior legitimidade, força institucional e respaldo técnico às reivindicações da categoria perante o Governo Federal, o SINDFER/PB tomou a iniciativa de solicitar ao DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos a elaboração de um estudo técnico específico sobre as perdas salariais acumuladas pelos ferroviários.
É importante destacar que, desta vez, não estamos diante de uma reivindicação formulada exclusivamente pelos próprios interessados ou de uma estimativa produzida pela entidade sindical. Trata-se de um levantamento técnico realizado por uma instituição especializada e de reconhecida credibilidade nacional, cuja análise poderá conferir maior objetividade e consistência aos dados apresentados.
Assim, o estudo do DIEESE deverá constituir elemento técnico de relevante força argumentativa nas tratativas com o Governo Federal, permitindo demonstrar, mediante critérios objetivos e metodologia própria, a dimensão das perdas suportadas pela categoria ao longo dos anos.
A partir desse levantamento, não será mais possível tratar a questão apenas como uma reivindicação de natureza política ou sindical. Haverá dados técnicos, metodologia e fundamentos objetivos a subsidiar a discussão, impondo ao Poder Público o dever de analisar a matéria com a seriedade e a responsabilidade que a situação exige.
“A iniciativa representa, portanto, um importante avanço na estratégia de defesa dos direitos da categoria, buscando transformar uma reivindicação histórica em uma questão tecnicamente demonstrada e institucionalmente fundamentada.”
Creio que tudo aquilo que some a nosso favor, é bem vindo.
ANÁLISE DOS REAJUSTES SALARIAIS DOS TRABALHADORES DA EXTINTA REDE FERROVIÁRIA FEDERAL S.A – RFFSA Junho – 2026
APRESENTAÇÃO
O presente estudo, elaborado a partir de demanda da Federação Interestadual dos Trabalhadores Ferroviários da CUT, analisa os reajustes salariais da categoria1 do período que compreende maio de 1997 até abril de 2025, visando subsidiar a entidade sindical em reivindicação de perdas salariais acumuladas. Os indicadores de inflação utilizados para medir as perdas salariais da categoria dos ferroviários no período da análise foram:
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), ambos pesquisados, calculados e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE) e dispostos no ANEXO deste estudo.
METODOLOGIA
Primeiramente foram levantados os índices de inflação correspondentes ao período em análise (maio de 1997 a abril de 2025) – tanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), quanto Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Em seguida, foram relacionados os reajustes da categoria conforme documentação fornecida pela Federação Interestadual dos Trabalhadores Ferroviários da CUT/CNTT/CUT2. Após esse levantamento passou-se ao cálculo das perdas, elaboradas para cada 12(doze) meses, tomando como data-base o mês de maio de cada ano.
RESULTADO DA ANÁLISE
O resultado da análise está disposto na tabela a seguir, apresentada em quadro sintético do período. A inflação acumulada entre maio de 1997 e abril de 2025 foi de 417,55% quando medida pelo IPCA e de 431,41% quando mensurada pelo INPC3. Após deduzir da inflação acumulada (IPCA e INPC) os reajustes acumulados, chegou-se aos valores das perdas salarias (42,32% e 43,83%) e, a partir delas, calculou-se os reajustes necessários suficientes para repor o poder de compra corroído pela inflação do período, o que corresponderam a 73,38% e 78,02%, respectivamente, medidos pelo IPCA e INPC.
1 Empregados ativos, Aposentados e pensionistas complementados da Empresa INFRAS.A. (ex- VALEC – Engenharia, Construções e Ferrovias S/A, sucessora legal da Rede Ferroviária Federal S/A – RFFSA)
2 Carta n.º 003/FIFT/CNTT/CUT/2026 de 15 de junho de 2026
3 Os índices mensais encontram-se em anexo. TABELA 1 – Índices de inflação e reajustes da categoria Maio de 1997 a abril de 2025 Fonte: IBGE e Federação Interestadual dos Trabalhadores Ferroviários da CUT Elaboração: DIEESE * Na data-base 2003 houve reajuste 9% (nove por cento) decorrente de Acordo Coletivo de Trabalho e, posteriormente, mais 5% (cinco por cento) em 2010 decorrente do ajuizamento do Dissídio Coletivo pagos de forma retroativa a maio de 2003 o que faz juntar-se aos 9% e formar os 14%. IPCA INPC Data Base Reajuste mai/1997 abr/1998 3,85% 4,12% 1º de maio de 98 3,00% mai/1998 abr/1999 3,35% 3,88% 1º de maio de 99 0,00% mai/1999 abr/2000 6,77% 5,44% 1º de maio de 00 0,00% mai/2000 abr/2001 6,61% 7,07% 1º de maio de 01 0,00% mai/2001 abr/2002 7,98% 9,55% 1º de maio de 02 0,00% mai/2002 abr/2003 16,77% 19,36% 1º de maio de 03* 14,00% mai/2003 abr/2004 5,26% 5,60% 1º de maio de 04 7,50% mai/2004 abr/2005 8,07% 6,61% 1º de maio de 05 7,00% mai/2005 abr/2006 4,63% 3,34% 1º de maio de 06 3,00% mai/2006 abr/2007 3,00% 3,44% 1º de maio de 07 3,00% mai/2007 abr/2008 5,04% 5,90% 1º de maio de 08 5,02% mai/2008 abr/2009 5,53% 5,83% 1º de maio de 09 5,53% mai/2009 abr/2010 5,26% 5,49% 1º de maio de 10 5,26% mai/2010 abr/2011 6,51% 6,30% 1º de maio de 11 6,51% mai/2011 abr/2012 5,10% 4,88% 1º de maio de 12 5,10% mai/2012 abr/2013 6,49% 7,16% 1º de maio de 13 6,49% mai/2013 abr/2014 6,28% 5,82% 1º de maio de 14 6,28% mai/2014 abr/2015 8,17% 8,34% 1º de maio de 15 5,00% mai/2015 abr/2016 9,28% 9,83% 1º de maio de 16 6,40% mai/2016 abr/2017 4,08% 3,99% 1º de maio de 17 3,98% mai/2017 abr/2018 2,76% 1,69% 1º de maio de 18 1,35% mai/2018 abr/2019 4,94% 5,07% 1º de maio de 19 2,02% mai/2019 abr/2020 2,40% 2,46% 1º de maio de 20 0,00% mai/2020 abr/2021 6,76% 7,59% 1º de maio de 21 0,00% mai/2021 abr/2022 12,13% 12,47% 1º de maio de 22 5,00% mai/2022 abr/2023 4,18% 3,83% 1º de maio de 23 3,45% mai/2023 abr/2024 3,69% 3,23% 1º de maio de 24 2,58% mai/2024 abr/2025 5,53% 5,32% 1º de maio de 25 5,32% 417,55% 431,41% 198,51%-42,32%-43,83% 73,38% 78,02% Inflação Período 12 meses Índices ACTs RFFSA Acumulado Perdas Reajuste necessário ANEXO – Variação mensal dos índices de inflação Maio de 1997 a Abril de 2025 Mês IPCA INPC maio 1997 0,41% 0,11% junho 1997 0,54% 0,35% julho 1997 0,22% 0,18% agosto 1997 -0,02% -0,03% setembro 1997 0,06% 0,10% outubro 1997 0,23% 0,29% novembro 1997 0,17% 0,15% dezembro 1997 0,43% 0,57% janeiro 1998 0,71% 0,85% fevereiro 1998 0,46% 0,54% março 1998 0,34% 0,49% abril 1998 0,24% 0,45% maio 1998 0,50% 0,72% junho 1998 0,02% 0,15% julho 1998 -0,12% -0,28% agosto 1998 -0,51% -0,49% setembro 1998 -0,22% -0,31%
Forte abraço
Estácio Bandeira

São muitos números, índices sintetizando, alguém poderia informar de quanto seria o total para uma possível correção ?
MUITO BEM, UMA OTIMA CONTRIBUIÇÃO, PORÉM, NÃO ACREDITO MAIS EM NEGOCIAÇÃO..TODOS OS ANOS ,É MESMA LADAINHA,NENHUM ÓRGÃO GOVERNAMENTAL ASSUME QUE NOS DEVE,MESMO NESTE GOVERNO, QUE A GENTE ACREDITAVA, SER REPRESENTANTE DOS TRABALHADORES, E PODERIA SANAR ESSA INJUSTIÇA, LEDO ENGANO, AINDA SONHO, QUE ALGUMA ENTIDADE REPRESENTATIVA, POSA ENCONTRAR UM ARGUMENTO JURIDICO, E PROVOQUE A JUSTIÇA, A SE PRONUNCIAR A RESPEITO DO FATO, COMO SEMPRE DEFENDEU, O JÁ FALECIDO DR. ELCIR.