O conglomerado japonês Mitsui e a Odebrecht Transport (OTP), braço de transportes e mobilidade urbana do grupo Odebrecht, esperam finalizar nos próximos meses a operação de transferência de controle da Supervia, concessionária de transporte ferroviário do Rio de Janeiro. A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a aprovação da aquisição pela Mitsui da companhia.

Na última semana, a OTP assinou contrato de compra e venda de participação na Supervia com a Guarana Urban Mobility Incorporated (Gumi), empresa que pertence à Mitsui e que já é acionista indireta da concessionária. Após a conclusão da transação, a OTP, que hoje tem 72,8% de participação indireta na Supervia, ficará com 11,33%. A Gumi, por sua vez, vai deter participação indireta de 88,67%. Os detalhes da operação, no entanto, não foram divulgados pelas companhias.

Odebrecht Transport tenta se desfazer da concessionária de transporte ferroviário desde o início de 2018. O Valor apurou que o conglomerado japonês e a Odebrecht esperam concluir o negócio já em abril. As partes, no entanto, têm evitado comentar o assunto no momento, devido a cláusulas de confidencialidade.

Além do aval do Cade, a operação depende da aprovação de credores e do governo do Rio de Janeiro, o poder concedente. A empresa de transporte ferroviário é considerada seu principal ativo. Com um período de concessão até 2048, a empresa opera 270 km de malha ferroviária, incluindo 104 estações, cinco ramais e três extensões na região metropolitana do Rio de Janeiro. A companhia possui 201 trens. No ano passado, a empresa transportava em média cerca de 600 mil usuários por dia. Em 2017, a Supervia teve lucro líquido de R$ 28,205 milhões, retração de 2,3% ante 2016.

Fontes: Valor Econômico, Revista Ferroviária