Por Fernando Abelha

É costume se afirmar: “Ano Novo, vida nova”. Mas até que ponto sabemos, realmente, medir o peso desta afirmação e a colocamos em prática? Se no ano que  passou, a nossa categoria não conseguiu atingir, em nada, os seus justos e constitucionais anseios e, assim, concretizar direitos. A perseguição e descaso com os bravos ferroviários da dilapidada RFFSA, nos levou a acumular mágoas ao não superarmos os desafios. Agora, é hora de abrir as janelas da mente e do coração ao futuro, e com coragem continuarmos lutando para afiançar os direitos que nos furtam a cada ano e que são indispensáveis à nossa sobrevivência com dignidade.

Somos valentes ferroviários  que não esmorecem sob as intempéries do cotidiano, no sol e chuva, com frio ou calor, em permanente risco de vida profissional. Soldados engajados, há mais de um século e meio, no desenvolvimento econômico da Nação Brasileira. Mesmo assim, se veem hoje execrados com seus direitos salariais abortados criminosamente, jogados de maneira perversa a um plano inferior, rotulados como um estorvo aos que defendem o neoliberalismo político e econômico, pelo qual entregam aos especuladores as riquezas nacionais, materiais e humanas, conquistadas com sangue suor e lágrimas por uma categoria que faz história por todo mundo. Esse triste fato, em curta reminiscência, ocorre com os trabalhadores da nossa saudosa RFFSA, hoje dilapidada, saqueada em milhares quilômetros de sua infraestrutura, sem que se apure responsabilidades e se puna os infratores de colarinho branco, políticos, membros do Poder Executivo e empresários oportunistas, algozes da ferrovia, comprometidos com o poder econômico, voltados tão somente aos seus interesses. Que se dane o País e o seu povo. Até quando teremos de conviver com tantas mazelas? Esses mesmos algozes tentam, agora, outros 30 anos de exploração das ferrovias, enquanto que o país fica à mercê dos rodoviários que poem banca e param os serviços, com prejuízos de bilhões de reais. Preço muito caro para os brasileiros pagarem.

Mesmo humilhados e abandonados pelos governantes somente nos resta denunciarmos neste blog e sempre que possível na mídia, os governantes e empresários oportunistas e trapalhões; confiarmos e prestigiarmos nossos órgãos de classe, Federações, Sindicatos e Associações, o que nos restou após tantas agressões das VALECs da vida, DENIts,  ANTTs, Ministérios dos Transportes e Planejamento (DEPEX) , alguns deles,  felizmente, em anunciados processos de restruturação e, até mesmo, de extinção.

Nada melhor do que um dia após outro. A batalha permanece o que somente aumenta o nosso ímpeto de enfrentamento. Não devemos nos acovardar. Olhemos sempre para dentro de nós, porque o caminho para uma vida nova passa, impreterivelmente, por nosso universo interior.

A mutação do momento atual, enfim, depende exclusivamente do nosso senso de oportunidade e argúcia em conviver com as mudanças que advirão; do nosso trabalho mental e físico em acreditar, realizar e prestigiar aos que nos representam, nesta batalha. Somos grandes, mais de 60 mil, infelizmente com poucos ainda em atividade, enquanto que os remanescentes, aposentados e pensionistas primam por uma representatividade nacional através das Federações e sindicatos das bases e associações de classe, dos engenheiros e dos aposentados.

É do nosso entendimento que ninguém poderá nos retirar a coragem e força em nos manter na peleja até conscientizarmos ou destruirmos os inimigos que tentam nos aniquilar. Neste novo momento de anunciadas  mudanças profundas, a ajuda pode até vir de fora, do Legislativo, Judiciário e do Executivo. O impulso deve partir de cada um de nós, da nossa unidade, imposta pela perseguição que nos atinge.

Em primeiro lugar, questione com honestidade: “eu realmente quero colaborar para mudar o destino da categoria? ”

Se a sua resposta for afirmativa, então é hora de mexer-se porque o Ano Novo está aí. Procurem e prestigiem os seus sindicatos e associações. Filiem-se a eles e assim fortaleçam as nossas instituições representativas da categoria. Com a derrotista Reforma Trabalhista do governo Michel Temer, os sindicatos terão dificuldades de subsistirem, a justiça trabalhista passou a ser uma armadilha contra o trabalhador, parte dos direitos adquiridos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, de Getúlio Vargas, foi jogada por terra. Saíram vitoriosos os empresários ardilosos e o poder econômico.

Para que a nossa luta dê realmente certa, é necessário, antes de tudo, se permitir mudar e formar uma unidade nacional dos bravos trabalhadores ferroviários irmanados com nossos órgãos representativos, sem vaidades pessoais e disputas inúteis entre eles. E, não esqueçam, o mundo ao seu redor apenas reflete o que você é. Assim é fundamental lutar sempre…. Retroceder jamais…

Feliz Ano Novo!