Curitiba vive a expectativa de aproveitar o início do governo interino de Michel Temer (PMDB) para começar a tirar do papel o projeto de construção do metrô. Isso porque parte da obra prevê financiamento empresarial por meio de uma Parceria Pública Privada (PPP), modelo que enfrentava certa resistência na gestão de Dilma Rousseff. Entretanto, para viabilizar o empreendimento, o município precisa aprovar uma atualização do valor orçado para R$ 6 bilhões.

Quando foi aprovado, em 2013, o projeto estava orçado em R$ 4,8 bilhões. Desses, R$ 1,8 bilhão viria do governo federal e outro R$ 1,4 bilhão seria aportado pelo estado e pelo município (R$ 700 milhões de cada ente). Outra fatia considerável – R$ 1,6 bilhão – seria levantada pela iniciativa privada, a partir de uma PPP. Em troca, a empresa que ganhasse a concessão teria o direito de explorar o empreendimento por um período de 35 anos.

“Curitiba sempre acreditou na PPP, mas no governo Dilma havia uma preocupação exagerada com o tema, que parece agora ter sido superada. Pelo contrário, tudo indica que o novo governo dará prioridade às PPPs. Não consigo imaginar cenário mais favorável a elas”, diz o secretário de Planejamento de Curitiba, Fábio Scatolin.

Apesar do otimismo em relação ao modelo de financiamento, Curitiba prevê dificuldades, por conta do momento financeiro e político do país. Scatolin destaca, por exemplo, que os valores precisam ser corrigidos, por causa de perdas inflacionárias. “Não é que precisamos de mais dinheiro. É que houve inflação neste período”, observa. “Assim que o novo ministro tomar pé das coisas, o prefeito Gustavo Fruet (PDT) deve entrar em contato para fazer essa negociação”, diz.

O projeto do metrô foi um dos principais pontos de aproximação de Dilma Rousseff (PT) com o prefeito Gustavo Fruet (PDT). Por causa do projeto, a presidente afastada veio três vezes a Curitiba, anunciar destinação de verbas para o modal. O aporte da União saltou de R$ 1 bilhão, em outubro de 2011, para R$ 1,8 bilhão em 2013.

Fonte: Gazeta do Povo