Por Genésio Pereira dos Santos

A ordeira e operosa classe de ferroviários, que, há décadas, fez o trem andar por este País afora, transportando por sobre trilhos milhões e milhões de toneladas de insumos, continua de pires na mão implorando, através da Federação Nacional de Trabalhadores Ferroviários-FNTF e Sindicatos ligados à classe, e vê a concessão generosa de reajuste pelo governo, para uns e outros e, de apenas 5%, para os ferroviários, no Dissídio de 2015/16. Um absurdo!

A decisão só ocorreu no final do mês de maio/16. O esperado pelos ferroviários era, pelo menos, 8,17%, mas, não consideraram nem os expurgos corrigidos.

A inadimplência de melhores índices pelo governo, para com os ferroviários vem desde 1998, quando foi acordado o “elevado percentual” de 3%, enquanto outras categorias foram contempladas com concessão maior nesses 16 anos. Abominável sob todos os aspectos.

Já estão sendo realizadas as negociações para o Acordo 2016/17. Como no anterior à classe foi concedida a migalha de 5%, espera-se que os ferroviários mereçam melhor sorte nesse próximo, e conte com a generosidade governamental, por ser inadmissível e ridícula uma concessão abaixo da inflação, neste ano de 2016.

Os servidores públicos, uma vez mais, tiveram o beneplácito governamental, nada contra, num momento de desemprego e de crise financeira, que afeta as instituições oficiais e a classe trabalhadora.

O novo governo fala em austeridade e dá aumento para os Poderes da República e seus servidores. Cá para nós, se a situação está preta para Francisco, óbvio, que o está para Chico também (ferroviários).

O presidente interino Michel Temer tem que orientar o ministro das Cidades e o do Planejamento, no sentido de estabelecer flexibilidade, a fim de que o Acordo Salarial que está sendo discutido entre a FNTF, Sindicatos ferroviários e a VALEC compense à classe, com o que não foi concedido no Dissídio 2015/16, que autorizou apenas os míseros 5%.

Se existe dinheiro para os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com 170 bilhões de déficit e o País na penumbra da crise econômica, pode o governo oferecer, através dos respectivos ministérios (Transporte, Cidade e Planejamento), melhor índice que compense à classe de ferroviários ativos, aposentados e pensionistas, que também são filhos de Deus, frise-se.

Registre-se que, desde 1998, entra e sai governo e tudo continua igual. As autoridades governamentais não pensam nos que honraram o setor de transporte ferroviário de cargas e os da mobilidade urbana (trens de passageiros), por anos e anos.

Os que foram aposentados depois da extinção da Rede Ferroviária Federal S.A., transferidos para o ministério do Planejamento, por ignorância dos direitos inalienáveis assegurados nas Leis nº 8186/91 e 10.478/02, estão sendo castrados, isto é, não estão recebendo os salários complementados, conforme o mandamento legal, porque os gerentes que já passaram pelo Departamento do Planejamento de Empresas Estatais Extintas-DEPEX e o atual interpretam, a Lei primária (mãe) equivocadamente, o que reza sobre a Complementação Salarial dos Ferroviários, editada em 1991, portanto, há um quarto de século.

Se não bastasse isso, lamentável e infelizmente, constata-se que o governo dá tudo para uns e outros e, a rigor, nada para os ferroviários, ainda perderam o seu Plano de Saúde (o PLANSFER), que foi extinto e prejudicando centenas de aposentados e pensionistas com 80, 90, 100 e mais anos de vida e que estão “ao Deus dará”, sem ter podido migrar para outros Planos de Saúde, por serem caros e eles não terem poder aquisitivo (ganham uma miséria).

Os ferroviários perderam também os seus Centros de Promoção da Saúde (Cepros), espalhados ao longo dos trechos de linhas por este Brasil afora. E estamos conversados!

 

Genésio Pereira dos Santos

Advogado/Jornalista/Escritor

gimam@ig.com.br