Por Carolina Sott ( Florianópolis)
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Quem acompanha novelas de grandes obras no Brasil sabe que a Transnordestina é uma das mais longas. Mas parece que o jogo virou: o trecho que finalmente conecta essa megaferrovia ao Porto de Pecém, no Ceará, já tem data para ficar pronto: até o final de 2026.
A previsão veio do ministro dos Transportes, George Santoro. Ele garantiu que o ritmo das obras está acelerado. “Conforme avançam as obras da Transnordestina em direção a Pecém, a gente entrega até o final do ano”, afirmou em entrevista à EBC.
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Para quem vive na região ou trabalha com transporte e agronegócio, essa é a notícia do ano. Quer entender o tamanho do projeto e por onde ele passa? Vem que a gente te explica.
Por onde passa a Transnordestina? Veja o mapa do trajeto
Não é exagero chamar a obra de gigante. Estamos falando de 1.206 quilômetros de linha principal, cruzando o coração do Nordeste, mais 73 km de ramais menores. A linha principal vai ligar a cidade de Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará.
No caminho, os trilhos vão cortar 53 municípios brasileiros. A divisão por estado ficou assim:
- Ceará: 28 cidades
- Piauí: 18 cidades
- Pernambuco: 7 cidades

Ferrovia atravessará 53 municípios nos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco Foto: TLSA/Divulgação
A boa notícia para o bolso do contribuinte é que o projeto não está saindo do zero agora: 727 quilômetros de trilhos já estão prontinhos e brilhando sob o sol do Nordeste.
E Pernambuco? O plano para Suape e a Ferrovia Norte-Sul
Se você sentiu falta de Pernambuco nessa história, pode sossegar. O governo também está correndo atrás do prejuízo para puxar os trilhos até o Porto de Suape. Esse trecho tinha sido cancelado na gestão passada, mas o projeto foi refeito, licitado e a expectativa é começar a barulheira das máquinas assim que os órgãos de fiscalização derem o sinal verde.
A ideia agora é conectar a Transnordestina à famosa Ferrovia Norte-Sul. O ponto de encontro de tudo isso será a cidade de Salgueiro (PE), que vai virar o maior “hub” de logística e transporte da região.
Uma história que começou lá na década de 1950
A necessidade de ter uma ferrovia forte no Nordeste é antiga. Tentaram começar a construção em 1959, mas a ideia foi engavetada.
O projeto atual nasceu em 2006, no governo Lula, com planos de entrega para 2010. Houve atrasos? Muitos. Mas a construção ganhou fôlego novo em 2024 e os resultados já estão aparecendo. Em dezembro de 2025, inclusive, aconteceu a primeira viagem-teste cheia de carga: um trem carregado de milho viajou com sucesso de Bela Vista do Piauí até Iguatu, no Ceará.
O que muda na prática para a região?
A Transnordestina não vai levar passageiros para passear, ela foi feita para carregar o PIB do Brasil. O foco total é o transporte de cargas pesadas que movimentam a economia: grãos (como soja e milho), fertilizantes, cimento, combustíveis e minério.
Com o trem funcionando, fica muito mais barato e rápido levar tudo o que é produzido no interior direto para os navios que vão para o exterior.
Além disso, como bem lembrou o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, a chegada dos trilhos atrai empresas, portos secos e armazéns privados. O resultado? Mais empregos, renda para a população e menos poluição, já que o trem é infinitamente mais sustentável que os milhares de caminhões que rodam pelas estradas hoje em dia.
