Por Genésio Pereira dos Santos

Advogado/Jornalista/Escritor

 Messias, biblicamente, significa salvador prometido por Deus, que viria para mudar o mundo. Jesus é o Messias anunciado pelo Antigo Testamento. O presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, em sua tumultuada campanha, prometeu mudanças a torto e a direito, mas, em entrevistas pós-vitória, confessa: “Eu tenho certeza (sic) que não sou o mais capacitado, mas Deus capacita os escolhidos”.

Humildemente, reconhece que o fardo é pesadíssimo para carregar nos próximos quatro anos, na presidência, e o desafio é incomensurável. O cidadão Bolsonaro foi ungido por mais de 55 milhões de votos do contribuinte-eleitor; ele acredita que fará mudanças substanciais para remover os graves problemas que assolam o País. O desafio é grande.

A Nação Brasileira espera que a remoção o seja pelas veredas da paz, da competência, do amor, nunca através do autoritarismo exacerbado, pela bala, pela perseguição, pela intolerância, vieses que não levam a nada e a lugar nenhum.

O Messias brasileiro, do século XXI, terá que se despir de conceitos e preconceitos, que afetam sobremaneira a sua conflituosa personalidade, e usar o pensamento: “A fala é prata é o silêncio é ouro, ” e o ditado da personagem da Escola do Prof. Raymundo: “Só abro (abrirei) a boca quando tiver certeza, ”, dada a sua grande responsabilidade de chefe da Nação.

O Messias brasileiro teve a sua unção para consagrar-se uma pessoa para a função de presidente. De forma pacífica, tirar o Brasil que está deitado em berço esplêndido, dotando-o de uma posição de pé, para sair dessa miscelânea, dessa colcha de retalhos de grandes desafios. Cristo fez milagres e Bolsonaro terá que preconizar, na prática, mas operacionalizar uma gestão, a fim de que o Brasil saia desse emaranhado de conflitos, “no tempo e no espaço”(meu jargão).

Recolocar o País nos trilhos é preciso. Aliás, durante a campanha, a rigor, não se ouviu falar em transporte ferroviário, especificamente, em construção de ferrovias. Em artigos pretéritos, sugerimos a criação da Rede Nacional de Ferrovias, sucedânea da extinta RFFSA.

Sabe-se que o futuro governo terá pela frente mastodônticos problemas e que o sistema viário é um deles. Necessário se faz que se estabeleça a mobilidade urbana, crucial para o binômio-social.

O Messias, Bolsonaro, cogita reduzir o número de ministérios para dezesseis, num primeiro momento, mas terão que ser criados muitos cargos para contemplar colaboradores executivos, com remuneração robusta e compatível com as funções a serem exercidas. O ex-presidente Collor, quando assumiu, diminuiu para doze a quantidade de ministérios, porém encontrou dificuldades para processar às acomodações partidárias…Oxalá o capitão Bolsonaro não passe pela mesma situação, considerando-se o que já se manifestou a esse respeito, de que no seu governo não vai ter o toma lá dá cá…

A fusão de pastas e incorporações pode resultar em grave paralisia para efetivação de medidas decisórias, pois, para quem anunciou a desburocratização e descentralização da máquina governamental, o Messias está indo na contramão e opondo-se a marcha alongada rápida de uma gestão administrativa moderna e atual. O bom senso recomenda uma análise.

A extinção de órgãos tem que ser bem pensada, porque as competências organizacionais institucionalizadas têm que ter fluxo, a fim de que se evitem os congestionamentos de atribuições (ações pessoais) de cada agente, com sobreposições e sobrefunções, no todo ou em parte.

O País necessita, urgentemente, de reformas como o sangue de oxigênio, e a tarefa que pesa por sobre os ombros do presidente é promover as reformas, para que saiamos deste marasmo, deste casulo de estagnação político-econômico-social.

No período pré-eleitoral, as polarizações acirraram-se e foram trocadas farpas, em vez de discussão de propostas racionais e positivas, que viessem a transformar o País. Passada a fase de acusações, todos devem ater-se para um clima de paz e de desensarilharem-se as armas, que nunca deverão ser acionadas entre os brasileiros.

Todo presidente, democraticamente, é tirado do meio dos homens e instituído em favor dos mesmos nas coisas que se referem ao País. Vamos todos varrer pra dentro de nossa Pátria, unidos, sem ódio e sem rancor, com o sentimento de que somos irmãos.

Por toda essa ordem de colocações até hoje lançadas na mídia a respeito do Messias brasileiro e, em particular, o que ora esposo, ele oferecer o crepitar da chama do amor, a certeza do dar-se pelo Brasil varonil, viripotente que os 208 milhões de cidadãos nacionais esperam, acreditam e merecem, a partir de janeiro de 2019.

Sem o esforço da busca da união de todos, impossível será a alegria do encontro com o bem-estar do Brasil, com o desenvolvimento de que tanto necessitamos, em curto e médio prazos, sem o enfrentamento de ordem ideológica e que governo e oposição harmonizem-se em benefício da sociedade, destinatária última de ações de gestão do Messias brasileiro, que prometeu, diz ele, há quatro anos em suas pregações pelo Brasil afora, caso chegasse à presidência da República.

Que venham as reformas!

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