Por Genésio Pereira dos Santos

Advogado/Jornalista/Escritor/Ferroviário Aposentado.

Vimos, há muito tempo, batendo nessa tecla sobre o criminoso abandono e a falta de preservação do patrimônio ferroviário, face à ausência desavergonhada de nossas autoridades, que não estão nem aí se a vaca está indo pro brejo com chifre e tudo. Esta é a linguagem que deve ser usada, falando-se da maneira que o povo entende. Segundo o laudo da Polícia Federal divulgado recentemente, o prédio da Estação Leopoldina corre risco de desmoronamento. Ao que parece, tocar neste assunto é malhar em ferro frio.

As condições do prédio são deveras comprometedoras, no tempo e no espaço, inaugurado, em 1926 e tombado pelo IPHAN, tendo-se três órgãos, judicialmente, que serão responsáveis pelo desmoronamento em potencial: a SuperVia, o Estado e a União, pois o imóvel encontra-se em estado avançado de comprometimento e iminente risco de cair, frise-se!

Está-se, com relação à Estação Leopoldina, ao que parece, malhando-se em ferro frio, isto é, pelo desleixo; as “otoridades” vão assistir, de seus gabinetes, às ruínas acontecerem lá em Barão de Mauá. Tudo está indicando que não será tomada nenhuma providência de gestão desse bem público, pois algo já deveria ter sido feito, no tempo e no espaço… tendo-se  em conta o “dever legal” de recuperar, conservar e de proteger o bem tombado, dado o seu estado físico precário.

Trava-se, desde algum tempo, uma verdadeira odisséia em defesa da preservação ferroviária, dos trechos de linhas e outros ricos bens, conquistados pelo povo brasileiro, este, reconhecido pelo desenvolvimento e progresso que a ferrovia trouxe as comunidades ribeirinhas ao leito de linhas, por estes Brasis afora!

A SuperVia ignora a decisão judicial, da 7ª Turma Especial/2017, do TRF, pois, até este mês de setembro/18, que se baseou no laudo da PF, condenou a concessionária que administra o sistema ferroviário, a proceder a recuperação da estação, ainda não cumpriu a ordem da Justiça Federal.

O estado do imóvel é deplorável. Registre-se que a Central Logística e a União são corresponsáveis pelo estrago que está acontecendo, pois, o MP as arrolou na peça de denúncia nos autos que tramitaram no TRF. Nada vezes nada foi feito e o ícone, a cada dia, vai-se deteriorando.

Em verdade, a rigor, na recuperação determinada, não há nada de grande complexidade de engenharia, nem a necessidade de altos estudos para a execução das obras, daí, não se justificam esse descaso e descumprimento do que determina o TRF-2.

Verifica-se, assim, que as existências de rachaduras não são, tão somente, no prédio abandonado sujeito a desmoronamento, também na ordem judicial, pois, já são decorridos alguns meses e o prédio está no estágio de “cai não cai”, sem que sejam adotadas as medidas de estilo. Até quando o Judiciário vai ser ignorado?

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