Pesquisa e edição por Luis Fernando Salles

Texto de Renê Garcia Jr.

A poucas horas para a eleição de primeiro turno para a presidência, duas perguntas devem estar martelando a cabeça do eleitor a cada vez que ele reflete sobre o tema. Afinal, o que está em jogo no processo eleitoral? O que podemos esperar do novo governo e o que de fato o próximo governante e o congresso eleito podem fazer?

Qualquer que seja o próximo presidente, dificilmente teremos nos próximos anos uma reversão consistente desse quadro sem que a questão de fundo da reforma do Estado seja de fato implementada. Trata-se de um enorme leque de ações que partirão de um choque de gestão no serviço público, com a eliminação de cargos, vantagens e privilégios de castas de empoderados membros de redutos do estamento burocrático, para usar uma linguagem weberiana. A esse conjunto de ações soma-se a necessidade de revisão nas fontes de despesas obrigatórias da União (pessoal e previdência) e dos serviços da dívida pública, o que incorpora uma Reforma Fiscal e Previdenciária e a redução do nível de endividamento público.

Nesse contexto de razoável realismo, nossa opinião é a de que, sobre a ótica da recuperação da atividade econômica, não é crível esperar grandes milagres de seu candidato à presidência da república. Desconfie daqueles que apresentam planos mirabolantes e soluções escatológicas, com promessas fáceis e passagens tranquilas pelo mar das tormentas que ainda podemos enfrentar.

O verdadeiro embate em curso nessa campanha eleitoral é a garantia da continuidade do processo democrático e do estado de direito, com a consolidação dos preceitos das garantias individuais e o respeito ao texto constitucional.

O bom candidato é aquele que assegure, a despeito da enorme divisão em curso na sociedade brasileira, e apesar da presença de fortes diferenças e visões alternativas para a sociedade brasileira e ao país. A certeza que os “diferentes” não serão perseguidos, a tolerância será defendida, a pluralidade será preservada, as identidades serão reafirmadas e as opções pessoais de qualquer espécie serão garantidas e a inclusão social será um compromisso .
O Brasil continuará a ser uma sociedade aberta, plural, solidária, receptiva aos imigrantes, voltada para a luta contra às desigualdades e compromissada com o combate a toda e qualquer forma de preconceito e exclusão.

O próximo governo terá obrigatoriamente que estabelecer diálogo com um espectro amplo da sociedade. Necessariamente deverá pacificar o país e restabelecer regras republicanas de governo de convívio entre os poderes da República, da mesma forma que obrigatoriamente deverá fomentar símbolos e valores que transcendam o curto prazo.

Como disse Barack Obama, em entrevista ao apresentador David Letterman:

“A imagem de um presidente da república é algo que transcende a capacidade de aprovar leis, estatutos, ações, planos e programas contidos em um mandato. Um presidente da república deve ser uma espécie de farol que irradia elementos simbólicos, valores cultivados e cultuados, que em conjunto ajudem a criar um país melhor e uma sociedade comprometida com a solidariedade intergeracional, internacional e a defesa da justiça para os (excluídos)”
Se o seu candidato representa tais compromissos e expressa tais convicções, no próximo dia sete de outubro, digite o NÚMERO dele e a seguir a tecla CONFIRMA, sem medo e sem susto.

Fonte: JB Online