Por Fernando Abelha

Inicia-se amanhã, 1º de maio, após período de 12 meses, as novas tratativas  de acordo com a data base dos ferroviários da assassinada RFFSA, para que nos seja concedido o reajuste dos nossos salários, após dois anos de angustiante espera para que o governo, através da VALEC, nos conceda o direito constitucional da correção dos salários de ativos,  aposentados e pensionistas pelos índices da inflação de maio de 2016 a maio de 2017 e, a partir de agora, de 2017/2018, embora a VALEC, em um primeiro momento, nos ofereceu zero por cento para 2017, burlando assim a categoria que, incondicionalmente, por mais de um século e meio. serviu ao País, diuturnamente, para que, agora, seja jogada no lixo, o mesmo que fizeram, irresponsavelmente, com a extraordinária RFFSA. Dos seus mais de 27 mil quilômetros de linhas, apenas pouco mais de seis mil, estão hoje em circulação, para atender somente as cargas unitárias das famigeradas concessionárias que Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva e Dilma Rousseff presentearam ao poder econômico, em detrimento do povo brasileiro. Estas mesmas concessionárias desonram os compromissos contratuais e devem ao governo cerca de R$ 9 bilhões, acumulados nos últimos 21 anos, sob o beneplácito do Ministério dos Transporte e entidades a ele subordinadas, as quais caberiam a fiscalização e cobranças. São elas: ANTT e  DENIT. O calote já foi detectado pelo Tribunal de Contas da União. O prejuízo causado ao Erário Público, segundo estimativas, passa de R$ 100 bilhões. Locomotivas, trilhos, vagões, oficinas e todo o material rodante viraram sucata.

Por sua vez, o Acordo Coletivo de Trabalho – ACT que contempla, além do índice inflacionário, as perdas de reajustamentos ocorridas no decorrer de cinco anos anteriores a 2014, e que foram reconhecidas pela Comissão Paritária instituída em 2014, com a participação de representantes sindicais e empresarial, encontra-se hibernando. Através da Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviário FNTF e dos seus sindicatos da base, o ACT aguarda pauta de conciliação ou julgamento no Tribunal Superior do Trabalho – TST, onde será analisado como Dissídio Coletivo, enquanto se aguarda que seja marcada pela Turma de Dissídios Coletivos do TST a data e hora da audiência de conciliação entre sindicatos e empresa.

Mesmo nesse compasso de espera, entendemos que em nada temos o direito de criticar aos órgãos de classe, sindicatos filiados às duas Federações de Ferroviários. Eles têm exercido, a tempo  e a hora, respeitando-se os prazos, os compromissos que lhes cabe, o que é facilmente comprovado. No entanto, todos sabemos que na justiça brasileira tudo é demorado. Portanto, nada resta fazer do que aguardar. Assim entendemos.

Todavia, irei revelar, em respeito ao meu compromisso profissional de jornalista exercido por mais de 40 anos, o pouco que sei, extraoficialmente. Fui informado por companheiros ferroviários, em reunião na Associação dos Aposentados da RFFSA, em meados do mês de abril, que ao nosso processo no TST já foi anexado o parecer do Procurador da Justiça do Trabalho, que não se pronunciou contrariamente aos nossos pleitos. Da mesma forma, já teria sido designado o relator do processo. Ressalto, no entanto, que estas informações foram por ouvir dizer, não existindo até o momento, nada relacionado a fonte oficial ou que se encontre no site do TST. É importante não gerar expectativa antes da decisão. Somente nos resta, portanto, a paciência para aguardar e nossas orações ao Pai Eterno para que interceda junto aos juízes a fim de que façam a justiça que todos merecemos.