Crônica de Saiddelvaux ( Blog do Said )

A irresponsabilidade das concessionárias não pode ficar impune. No caso da antiga SR 8, o descalabro levou à quase completa destruição da malha: abandonaram a antiga “Linha Mineira”, que foi invadida, depredada. Parte da faixa de domínio foi ocupada, trilhos furtados, Estações e Oficinas destruídas. Suspenderam criminosamente o tráfego de derivados de petróleo entre a base de Duque de Caxias e o Terminal de Cacomanga na linha do Rio. Caminhões-tanque vazios e carregados disputam espaço com outros veículos na BR-101, verdadeiras bombas sobre rodas ameaçam diariamente as vidas dos motoristas, passageiros, moradores etc.

Abandonaram praticamente a Linha Transversal (enquanto isso, carretas circulam diariamente pela BR 356 carregadas de bauxita(!) procedente de Cataguases com destino ao Porto do Açu) e a Linha Campos-Vitória; suspenderam o transporte de bauxita de Cataguases para Três Rios; causaram prejuízos aos usuários do transporte ferroviário e à população que paga mais caro pelos produtos, vez que o transporte passou a ser monopólio do setor rodoviário nas regiões anteriormente servidas pela ferrovia. Os efeitos da suspensão do tráfego ferroviários para as regiões não podem ser medidos, mas são, com certeza, muito grandes. Como a ferrovia não é prioridade, o sistema político dedica-se mais às falcatruas do que aos problemas econômicos e sociais do país. O abandono da ferrovia não está na agenda de ninguém, nem do Judiciário, do Executivo, do Legislativo, nem dos mocinhos, nem dos bandidos.

Sobra muita conversa, muita propaganda, projetos e boas intenções, que lotam o inferno. Enquanto isto, o que sobrou é destruído pelo tempo. E ninguém vai para a cadeia! Vale lembrar que as linhas de baixa densidade de tráfego, de acordo com a metodologia adotada pelo BNDES, serviram para baixar o valor de mercado das malhas da antiga RFFSA. Se os valores forem recalculados, em função do abandono das linhas, as concessionárias abrirão os bicos. Não sei qual o desfecho do caso na 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Bento Gonçalves. Provavelmente, a ação se arrastará por décadas e, ao final, a conta ficará para a Sociedade.

Espero, sem muito otimismo, que, pelo menos, os responsáveis pelas decisões que levaram à destruição de metade da malha ferroviária do país, entre eles, os administradores das concessionárias e os responsáveis pela “fiscalização”, omissos, ineptos, irresponsáveis e inconsequentes, paguem com seus bens e sejam punidos exemplarmente pelos prejuízos causados ao sistema ferroviário do país e, por extensão, aos brasileiros.