Por Fernando Abelha

Em reunião marcada pela participação de 27 ferroviários representantes de sindicatos e associações de classe realizou-se, ontem, pela manhã, na sede da Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários, no Rio de Janeiro, o primeiro encontro já denominado de “Unidade Ferroviária” por iniciativa da Federação Nacional dos Engenheiros Ferroviários – FAEF.

Hélio Regato presidiu os trabalhos. De início conferiu a palavra à engenheira Clarice Soraggi, vice-presidente da FAEF, para que fizesse sua explanação em cumprimento à pauta proposta. Clarice abriu a alocução conclamando os ferroviários “nestes difíceis momentos, à unidade de ação” Recomendou aos responsáveis pela transferência de informações à categoria que, a partir de agora, evitem confrontar os entendimentos defendidos pelos vários órgãos de classe, quanto aos caminhos que devem ser tomados para proteger direitos conquistados através de um século de trabalho da categoria. E acrescentou: “somente assim encontraremos a indispensável unidade de que tanto necessitamos” Disse que “a FAEF está de portas abertas para receber a todos, a fim de apreciarmos as estratégias necessárias para que saiamos vitoriosos das demandas que já estamos enfrentando.”

Falou da permanente tentativa do DEPEX, órgão do Ministério do Planejamento, para onde foram alocados os aposentados das estatais extintas, em prejudicar os ferroviários que se aposentam ao negar direito ao chamado 4.5, em receber seus salários de acordo com o que dispõe o Plano de Cargos e Salários da extinta RFFSA como se em atividade estivessem. Fez referência ao responsável pelo DEPEX nominado Cazela que desde 2009 discrimina os ferroviários da RFFSA, CBTU, CPTM, Central, Flumitrens e os que, por sucessão trabalhista, foram transferidos às concessionárias. O DEPEX insiste em desconhecer o que dispõe as Leis 8.186 e 10.881 que garantem a extensão dos valores salariais recebidos pela 4.5, quando da aposentadoria do ferroviário.

 – Com muito custo conseguimos que retornassem os direitos das pensionistas mas, sistematicamente, negam os direitos aos que se aposentam. Em razão disso, surgiu uma verdadeira avalanche de ações na justiça. Temos de lutar – disse – para que não abortem as nossas leis, de vez que uma mentira dita várias vezes acaba convencendo. Nós vamos virar essa mesa sim e para isso necessitamos do apoio do ministro Hélio Regato, presidente da FNTF. Aduziu.

Em seguida Hélio Regato afirmou ser “louvável e importante a unidade e que pela FNTF de há muito a pratica, criarmos um grupo de líderes ferroviários, com a nossa participação, para conduzirmos os interesses da classe atingida por atos de gestão inexplicáveis e irresponsáveis. Quanto ao senhor Cazela teremos uma ação em separado. Há anos que se discute as mesmas coisas e o que está na ponta do problema é sempre o Cazela. Estão brincando com a gente.” Afirmou

Por sua vez o presidente da Associação Mútua Raimundo Neves ressaltou, também, a importância da unidade da classe. “Nós temos de formar um grupo forte, acampar em Brasília se necessário for, e derrubar este Cazela.” Disse, ainda, que “Hélio Regato é hoje o líder sindical ferroviários que ocupa, verdadeiramente, o lugar de Demistoclides Baptista (Batistinha). Sei que ele quando entra na luta não tem recuo.”

Dissidio coletivo

Em continuidade à pauta, foi abordado o Dissidio Coletivo. Hélio Regato esclareceu que o assunto está sendo acompanhado pelo escritório contratado em Brasília, além de três sindicatos da base da FNTF que atuam como interessados. Disse que no momento existe alguma preocupação quanto a nova lei trabalhista sobre a competência para analisar a matéria, se cabe às Delegacias Regionais do Trabalho ou ao TST. No entanto, vem mantendo o cuidado de assinar todos os Acordos Coletivos e os Dissídios junto com os sindicatos da base, de vez que a FNTF tem representativifdade e a consequente legitimidade a nivel nacional. Assim não ficam dúvidas da competência do TST. Adiantou que no próximo dia 09 o Superior Tribunal do Trabalho colocará em pauta o julgamento do Dissídio Coletivo dos empregados da CBTU, defendidos por quatro outros sindicatos, que têm data base em janeiro. Como a nossa data base é maio, acredito que o nosso Dissídio será analisado em seguida. Após a decisão do dia 09 já teremos uma ideia do que poderá acontecer. Ressaltou.

Outros oradores fizeram uso da palavra: Almir Gaspar, Izabel Junqueira, Gerônimo Neto, Alexandre Lopes, Maria das Flores Ferreira, Geraldo Sobrinho, Janaina Fernandes e Adaulto Alves.

Participantes

Participaram do encontro os seguintes ferroviários:

Roberto de Albuquerque Guedes da Luz – SEVFRGS; Marcelo do Valle Pires – FAEF; Ricardo Jorge Ferreira Brandão – INVRFFSA.;

Marco Aurélio F.P. – VALEC/RFFSA; Jerônimo Puig Neto – RFFSA; Abdias Rodrigues – STEFRJ

Álvaro Sanches – FNTF; Itamar Dorico – STEFRJ; Jansen E.B.Alves – STEFRJ; Almir Gaspar – AEEFL; Raimundo Araújo – Mutua; Adauto Alves – Mutua; Celso Paulo – AEEFL; Maria Montmor Marcela – STEFRJ; Geraldo Sobrinho – Mutua; Anita Barbosa de Moraes – Mutua; Alexandre Lopes – AENFER; Marcelo Costa – AENFER; Maria das Flores Pereira INVRFFSA; Izabel Cristina Junqueira – AENFER;  João Pìvoto – AEEFSJ; José Jorge Gomes – STEFRJ; Clarice Soraggi – FAEF; Fernando Abelha – Blog Ferroviavezevoz.com; Hélio Regato – FNTF; Janaina Fernandes – FNTF e Ana Maria B. Campos – STEFRJ.