Comentários de Fernando Abelha

No jornal da Associação Mútua Auxiliadora dos Empregados da Estrada de Ferro Leopoldina, que retrata as comemorações dos 100 anos da entidade, em circulação este mês, na coluna Palavras do Presidente, Raimundo Neves de Araújo divulga o seguinte desabado:

“Coube-me a honra de estar na presidência da nossa querida Associação Mútua no decorrer das festividades do seu centenário. Divido essa honra com os meus antecessores que desde as primeiras décadas do século passado, vêm enobrecendo esta singular instituição.

                No folder distribuído como encarte nesta edição, é demonstrado sobejamente alguns capítulos das lutas desenvolvidas no decorrer deste século. No entanto, vivemos hoje momentos não menos difíceis dos cenários passados. O governo e seus poderes constituídos estão à matroca de diretrizes que cumpram objetivos voltados ao bem-estar da sociedade como um todo.

                Se não bastasse, o seguimento ferroviário está renegado a um plano inferior, fruto da desastrosa concessão da Rede Ferroviária Federal S.A. O que se noticia é de que dos 27 mil quilômetros de linhas operacionais, apenas sete mil estão sendo utilizadas. Pasmem: os concessionários estão voltados tão somente para o transporte dos produtos do seu interesse, tais como minério de ferro e produtos acabados da siderurgia e a produção agrícola voltada à exportação, o que representa maior lucro para as concessões.

                Este criminoso abandono atinge, inclusive, os valores humanos ferroviários. Os poucos empregados da RFFSA ainda em atividade estão sendo mal aproveitados pela empresa para a qual foram transferidos por sucessão trabalhista. Os cerca de 60 mil aposentados estão com seus salários aviltados com perdas acima de 40% dos índices corrigidos pelo Governo Federal.

                Como se não bastasse, a Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários, entidade que detêm a legitimidade para defender os nossos direitos pecuniários, se vê tolida pelo descaso das instituições que nem sequer se dignam a sentar à mesa de negociação, obrigando, assim, a mediação do poder judiciário trabalhista.

                O presidente Michel Temer vive declarando que está na hora de colocar o Brasil nos trilhos. Indagamos: que trilhos, se a ferrovia pouco representa hoje para a economia do país à semelhança das demais instituições corrompidas pela ganância e lucro fácil? “ 

Raimundo Neves de Araújo

Presidente da Associação Mútua