Por Marco Aurélio Neves

O Tempo – Economia

Com investimentos de R$ 130 milhões, nova rota conecta regiões produtoras ao sistema portuário capixaba por meio da Ferrovia Centro-Atlântica.

A VLI começou a transportar ferro-gusa de Minas Gerais para o Espírito Santo, por meio de uma nova rota na Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O insumo é a principal matéria-prima para a produção de aço e ferro fundido, e sairá de regiões produtoras em Minas com destino aos terminais capixabas da Vports. Desenvolvido em parceria entre VLI, Vports e Multilift, o projeto recebeu investimentos conjuntos de R$ 130 milhões.

m terras capixabas, o ferro-gusa mineiro poderá ser embarcado em navios com capacidade de até 55 mil toneladas. Em função do seu calado mais profundo, a estrutura portuária da Vports pode receber navios de maior porte, o que favorece ganhos de escala nas exportações.Seguir no Google

A VLI movimenta cerca de 28 milhões de toneladas/ano por meio do Corredor Leste da FCA, que conecta o Triângulo Mineiro aos portos do Espírito Santo.

No território nacional, Minas Gerais lidera o segmento de ferro-gusa de forma isolada. O estado concentra cerca de 70% da produção nacional – de 5,4 milhões de toneladas em 2025 -, com uma capacidade instalada de aproximadamente 420 mil toneladas por mês, de acordo com o Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais (Sindifer-MG).

São 48 usinas e 63 fornos em operação no estado. O município de Sete Lagoas, na Região Central, é considerado o coração do setor de ferro-gusa, com 21 dessas unidades produtivas.

Cerca de três quartos do ferro-gusa brasileiro foi exportado no último ano. Em Minas, a proporção é parecida: aproximadamente 70% da produção é destinada à exportação. Somente o polo guseiro de Sete Lagoas exportou mais de 1 milhão de toneladas no ano passado.

Antes da implementação de um novo tarifaço, os Estados Unidos foram o destino de 80% das exportações da indústria mineira e mais de 80% das exportações nacionais do insumo.

Novo corredor pode resolver gargalo de aproveitamento das ferrovias

No sentido contrário do novo corredor, a VLI projeta transportar aproximadamente 30 mil toneladas por mês de coque, insumo empregado em diversas aplicações da indústria da construção civil.

O transporte de coque pode proporcionar um melhor aproveitamento dos ativos ferroviários, uma vez que pode evitar o retorno de vagões sem carga – um conhecido gargalo operacional da logística ferroviária.

A movimentação também marca mais um avanço da VLI em seu modelo de atuação como Agente Transportador Ferroviário de Cargas (ATF-C) na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), administrada pela Vale.

A companhia conseguiu o registro como ATF-C na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) há cerca de dois anos e, no ano passado, começou a operar na EFVM neste modelo, por meio de um Acordo de Transporte Ferroviário (ATF). Foi o primeiro contrato do tipo feito dentro do país.

Antes de ser ATF-C, o transporte de carga da VLI no Corredor Leste da FCA “trocava de mãos” quando chegava na EFVM – a partir dali, a carga era transportada por locomotivas e equipes da Vale. Agora, profissionais e material rodante da VLI operam o serviço diretamente ao longo da EFVM. O novo arranjo aumenta a eficiência do transporte de cargas, já que resulta em redução de paradas operacionais.

Somente para o ATF na EFVM a companhia adquiriu 43 locomotivas e 1.040 vagões da mineradora por R$ 380 milhões, além de sete locomotivas da Wabtec Corporation, com fábrica em Contagem, na Grande BH, por R$ 150 milhões. Outros R$ 70 milhões estavam previstos para adequações das instalações utilizadas no transporte de carga. Ao todo, a operação resultou em investimentos da ordem de R$ 600 milhões.

O gerente-geral Comercial da VLI para segmentos Industriais e Minerais, Aroldo Cecílio, afirma que, com a nova rota de transporte de ferro-gusa, a companhia busca apoiar o desenvolvimento da cadeia produtiva da siderurgia por meio de soluções logísticas cada vez mais eficientes.

“Buscamos continuamente alternativas que gerem valor para toda a cadeia, conectando diferentes modais e ampliando a competitividade dos nossos clientes. Esta operação simboliza a união da tradição ferroviária mineira com a vocação portuária do Espírito Santo, resultado de uma parceria sólida entre todos os players envolvidos”, disse Aroldo Cecílio.