Por Maura Pereira

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Morretes nasceu como um ponto estratégico para os mineradores e viajantes que subiam a serra rumo ao planalto. / Imagem ilustrativa

Fonte C.B. Radar – O trem desce a serra entre cachoeiras, viadutos e túneis abertos na rocha. Quando os trilhos alcançam o vale, a paisagem se abre em casarões coloniais à beira de um rio de águas verdes. Morretes, no litoral do Paraná, é o destino que espera quem sobrevive a quatro horas de visual sem piscar na Serra do Mar.

Uma ferrovia de 1885 cortando a maior área de Mata Atlântica do país

Ferrovia Paranaguá-Curitiba foi inaugurada em 1885 e é uma das mais antigas do Brasil em operação. O projeto foi liderado pelos engenheiros Antônio e André Rebouças, primeiros engenheiros negros do país. O traçado atravessa 41 pontes e 13 túneis ao longo de 70 km pela Serra do Mar Paranaense, dentro da maior área contínua de Mata Atlântica preservada do Brasil.

O que fazer no centro histórico à beira do Nhundiaquara?

Morretes foi fundada por jesuítas em 1733, às margens da Baía de Paranaguá. O nome vem dos pequenos morros que cercam o município. O centro histórico preserva casarões coloniais dos ciclos do ouro, da erva-mate e da cana-de-açúcar, muitos hoje ocupados por restaurantes e espaços culturais.

  • Rio Nhundiaquara: nasce no alto do Marumbi e corta a cidade formando cenário entre pontes metálicas e casarões centenários. Passeios de canoa duram cerca de 30 minutos e revelam fundos de quintal que dão direto na água.
  • Estrada da Graciosa: alternativa cênica para quem vem de carro, com mirantes, áreas de piquenique e trechos sinuosos em meio à Mata Atlântica. Já foi eleita uma das estradas mais bonitas do país.
  • Parque Estadual Pico Marumbi: ideal para montanhistas, com trilhas que levam ao cume a 1.539 metros. A trilha mais curta exige registro prévio no Viaje Paraná.
  • Boia-cross no Rio Nhundiaquara: descida de boia pelas corredeiras a partir de Porto de Cima, com percurso de cerca de 1h30 até a Ponte de Ferro.
  • Cachoeira Véu de Noiva: queda de aproximadamente 150 metros de altura, acessível por trilha em meio à mata nativa.

Morretes, no Paraná, é apresentada neste vídeo do canal Paz, Amor e Viagem como uma das cidades mais charmosas e históricas do estado. Fundada em 1733, a cidade preserva um cenário que parece uma pintura, misturando casarões coloniais, montanhas e o Rio Nhundiaquara.

barreado é o prato mais tradicional do Paraná e tem origem açoriana, trazida por portugueses ao litoral paranaense no século XVIII. O nome vem do ato de “barrear” a panela de barro com massa de farinha e água para vedar o vapor durante o cozimento lento, que dura até 20 horas. A carne desmancha em fios e é servida com farinha de mandioca e banana.

Em 2024, o barreado do litoral recebeu a Indicação Geográfica (IG) do Governo do Paraná, sendo o 100º produto brasileiro a obter o registro. A Associação de Restaurantes de Morretes estima que os estabelecimentos associados sirvam entre 2,5 mil e 3 mil pratos de barreado por fim de semana. Além do barreado, a cidade é terra de cachaça artesanal premiada e de balas de banana vendidas nas barraquinhas da Rua das Flores.

Encante-se com Morretes: ruas de pedra, rio sereno e sabores do barreado que evocam histórias antigas entre serra e litoral. // Créditos: Wikipédia

Morretes tem clima subtropical úmido, com chuvas mais concentradas no verão. O inverno seco e fresco é a melhor época para o passeio de trem, com céu aberto e visibilidade longa na serra.