Colaboração: Engº Alexandre Julio Lopes de Almeida, vice-presidente as AENFER

A AENFER – A Casa do Ferroviário tornou público manifesto em que alerta o Governo, a futura operadora e a sociedade sobre a importância da manutenção dos trabalhadores no sistema ferroviário do Rio de Janeiro.

Com a saída da SuperVia e a entrada do consórcio Nova Via Mobilidade, a entidade manifesta preocupação quanto ao destino dos empregados que atuam no transporte suburbano de passageiros.

Segundo a AENFER, a experiência acumulada por operadores, técnicos e agentes é fator determinante para a segurança operacional, a qualidade do serviço e a continuidade do sistema. A Associação defende a implementação de um Plano de Transição de Pessoal transparente, responsável e socialmente justo, enfatizando que a necessária modernização do transporte ferroviário não pode ocorrer à custa da desvalorização ou do afastamento daqueles que historicamente sustentam o funcionamento da malha.

Segue, em anexo, o posicionamento oficial da AENFER, entidade que valoriza, representa e luta permanentemente pelos direitos dos ferroviários.

Pelo direito ao trabalho e pela valorização do ferroviário!

Manifesto: Não há ferrovia sem ferroviário

A Experiência que Move a Cidade do Rio de Janeiro não pode ser descartada

         A AENFER, entidade originariamente com 89 anos de existência, tem como objetivos defender a Ferrovia através da divulgação de projetos e trabalhos buscando o crescimento desse modo de transporte tão importante e defender quem faz a Ferrovia ser o que ela é, o Ferroviário.

 Ao longo da sua história presenciou diversos processos de desestatização, concessão, permissão de uso, e em todos eles a questão de pessoal não foi tratada na sua real dimensão e importância o que, em muitas situações, acaba sendo determinante para que não sejam alcançados os resultados almejados.

         Em processos de concessão pública ou similares, o foco costuma ficar muito no “ferro e aço” (trens e trilhos) e acaba-se esquecendo de quem faz a roda girar todos os dias: o trabalhador.

        O objetivo aqui é sensibilizar o governo, a nova operadora e a opinião pública de que experiência não se descarta.

        O sistema ferroviário do Rio de Janeiro atravessa um momento de transição. Com a saída da atual operadora Supervia e a chegada de uma nova gestão via processo licitatório, o consórcio Nova Via Mobilidade será o novo gestor do transporte suburbano de passageiros, e surge de imediato uma incerteza que aflige milhares de famílias: o destino dos trabalhadores que dedicam suas vidas ao transporte de massa.

         Um trem não é apenas uma máquina; é um serviço movido por pessoas. Operadores, técnicos de manutenção, agentes de estação e pessoal administrativo detêm o conhecimento tático e a memória operacional que garantem a segurança e a fluidez do sistema. Ignorar esse capital humano é um erro estratégico e social.

Nossos Pilares de Reivindicação:

 · Preservação do Material Humano: O trabalhador é o patrimônio mais valioso de qualquer empresa. A transição entre operadoras deve priorizar a absorção da mão de obra atual, garantindo a manutenção de empregos na nossa cidade.

 · O Papel do Poder Público: É dever do Estado e dos órgãos reguladores acompanhar “pari passu” essa transição. A justiça social deve ser cláusula pétrea em qualquer novo contrato de concessão.

 · Segurança Operacional: A curva de aprendizado de novos funcionários, mesmo vindos de outras operadoras, até mesmo internacionais, pode gerar riscos desnecessários. Manter quem já conhece os desafios da malha ferroviária fluminense é garantir a segurança do passageiro. Associação de Engenheiros Ferroviários A Casa do Ferroviário Av. Presidente Vargas, 583 – Gp.616 a 618 / 6 ° andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ – CEP: 20071-003 – Tel.: 99729-5251/99730-0673/99729-8388 aenfer@aenfer.com.br · Dignidade e Continuidade: Não estamos falando apenas de números, mas de pais e mães de família que possuem expertise técnica e merecem respeito e estabilidade diante da mudança de CNPJ.

O Apelo

Instamos as autoridades competentes e a futura operadora a estabelecerem um Plano de Transição de Pessoal transparente e humano. O progresso do transporte no Rio de Janeiro não pode acontecer à custa do desemprego de quem sempre carregou o sistema nas costas. A AENFER – A Casa do Ferroviário seguirá agindo, na medida das suas limitações, junto às esferas de influência para que o trabalhador não seja apenas um espectador, mas uma parte respeitada dessa nova etapa. Seguimos firmes, de olho no futuro, sem esquecer de quem carrega a ferrovia no peito.