Colaboração do Eng. Alexandre Julio Lopes de Almeida, vice-presidente da AENFER.

“As obras civis da Estação Gávea do Metrô do Rio de Janeiro, envolvem as escavações para 15 níveis de pavimentos subterrâneos com dois acessos. São duas as Estações propriamente ditas, denominadas Gávea Sul e Gávea Oeste, interligadas entre si, propiciando acessos às linhas do Metrô em direção às Estações General Osório Expansão, Direção Uruguai, através da linha A, e às estações Jardim Oceânico e Carioca, através da linha B.

Vejam a importância de termos esta Estação em pleno e seguro funcionamento:

As referidas obras foram iniciadas em 2013, a partir da execução de dois poços (Sul e Oeste), com diâmetros de 9 metros cada um, e que alcançaram uma profundidade de cerca de 35 metros, a partir da superfície do terreno, e de túneis com diâmetros de cerca de 12 metros, para acesso à galeria da Estação, e de 5 metros correspondentes à ligação entre as plataformas. Tais túneis têm suas bases no entorno de 42 metros de profundidade.

Já as escavações das galerias, ainda incompletas, deverão ter cerca de 24 metros de diâmetro, cada.

Tais obras foram paralisadas em fevereiro de 2015, com todas as suas estruturas (poços e túneis) estabilizadas, revestidas em concreto projetado com fibra/tela metálica e tirantes provisórios, de comprimentos variáveis de 6 a 9 metros.

O nível do lençol freático foi rebaixado em cerca de 7 metros, na região dos poços, para a sua execução. Em agosto de 2017, as bombas de rebaixamento foram sendo paulatinamente desligadas, iniciando-se assim o processo gradual de inundação das escavações.

Presentemente, as edificações lindeiras à obra estão consideradas estáveis, sem riscos potenciais, caso as condições atuais de inundação das escavações sejam mantidas, o que vem subsidiando a tese de manutenção deste estado sem a devida conclusão das obras, com a garantia efetiva e a segurança adequada, pois, nenhuma análise de risco que possa corroborar com qualquer conclusão neste sentido é de nosso conhecimento.

Vale lembrar que as estruturas de contenção existentes na obra são provisórias, e não podem, portanto, garantir com segurança a estabilidade total das escavações. Segundo a Norma Brasileira NBR 5629:2018, a vida útil dos tirantes utilizados nas referidas contenções é de dois anos, a contar das datas de instalação. 

A manutenção das atuais condições da Estação Gávea é inadmissível, face ao risco da possibilidade de subsidência (afundamento) do terreno no entorno da escavação, com danos irreparáveis materiais e humanos.

Sem prosseguir a análise de elementos disponíveis, já podemos concluir que as obras precisam ser reiniciadas, com urgência e segurança, mediante plano de retomada, visando à sua conclusão, e deixando o Metrô fluir livremente para as estações General Osório, Jardim Oceânico e Carioca, o que é fundamental a uma melhor mobilidade urbana.

Maiores subsídios técnicos poderão ser procurados, como o fiz, consultando o louvável documento produzido pelo Núcleo Interdisciplinar do Meio Ambiente da PUC-RJ, participação dos professores Tácio Campos, Sérgio Fontoura, Eurípedes Vargas e Claudio Amaral, que conheço bem, além de outros.

Se, e somente se, for julgado pertinente, a Academia Nacional de Engenharia – ANE, que presido, fica à disposição do egrégio Tribunal de Contas do Estado para assessorar tecnicamente, pro bono, na análise da situação da Estação Gávea do Metrô, inclusive de relatórios externos com visões críticas em relação a decisões passadas. A ANE tem essa tradição de cooperar com entidades governamentais, analogamente ao que faz a NAE – National Academy of Engineering, que subsidia a Presidência da República dos Estados Unidos da América.

Aterrar as escavações seria o mesmo que impedir um filho de continuar a crescer. Não podem faltar recursos para tal!”

Fonte: Correio da Manhã
Opinião - Francis Bogossian

Presidente da ANE – Academia Nacional de Engenharia, ex-presidente do Clube de Engenharia, ex-presidente interino do CREA-RJ.