O investimento em projetos de infraestrutura sustentável é um caminho que o Brasil deveria seguir para promover a recuperação da economia no pós-pandemia, defendeu ao Valor o ex-representante do Brasil no Banco Mundial Rogério Studart, que hoje é pesquisador do World Resources Institute (WRI), um centro de estudos (think tank) para a chamada economia de baixo carbono.

O economista avalia que esse pode ser um caminho para atração de recursos privados internacionais para os projetos de infraestutura, dado que a sustentabilidade é uma exigência em muitos fundos de investimento no exterior. Segundo ele, o governo também deve entrar com recursos, dentro de suas limitações, mas teria principalmente o papel de articulador dos projetos.

Os investidores estrangeiros todos hoje têm mandato de sustentabilidade. É preciso que o Brasil faça um plano de infraestrutura com sustentabilidade, que atraia tecnologia de ponta, disse, listando áreas como eficiência energética, mobilidade urbana, saneamento, limpeza de nascentes dos rios, replantio de nascentes, preservação de manguezais, que não exigem projetos grandiosos.

Ele recentemente publicou na página do WRI texto defendendo que o Brasil já se prepare para o momento pós-pandemia usando esse caminho. Não podemos deixar de começar a nos planejar para o Brasil durante e após a pandemia. Afinal, as projeções econômicas indicam que estamos lidando com um impacto semelhante ao de uma guerra, disse no artigo também assinado por dois outros funcionários do think tank, Sebastian Keneally e Bruno Calixto.

É nesse contexto que ele aponta o desafio de ampliar os investimentos que envolvam sustentabilidade. Estimativas mostram que a cada 1% gasto em infraestrutura há um retorno de até 3% em PIB em dez anos e de até 8% em 30 anos. Se essa infraestrutura considerar critérios ambientais, climáticos e sociais, ela ainda potencializa a eficácia dos resultados. São investimentos que representam utilização inteligente de escassos recursos públicos, que preservam o capital natural do país, e que têm maior chance de mobilizar recursos privados, nacionais e internacionais, afirmam os autores.

Fonte: Valor Econômico, Revista Ferroviária, Internet