Por Paulo Leite

Amanhã, dia 17, às 14 horas, um novo sopro de esperança viverá a sofrida e esquecida classe ferroviária. Voltarão à mesa de negociações, na sede da VALEC em Brasília, seus representantes, capitaneados pela Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários-FNTF, presidida pelo reconhecido líder Hélio Regato e representada por seus Sindicatos da Base,  em que se ressalta a atuação de João Calegari, do RS, Eluiz Alves de Matos, de SP e Paulo de Tarso do RJ, entre outros líderes trabalhistas ferroviários. É de se destacar, também, no que lhes compete, a atuação das Associações Mútua, e dos Aposentados do RJ que, através de contatos pessoais e por correspondência procuram conscientizar as autoridades do poder constituído, sobre a penúria dos ferroviários.

O encontro será com os atuais dirigentes da VALEC, empresa que hoje mantém ainda em seus quadros alguns ferroviários da ativa, mas que nos ignora a cada ano como se os verdadeiros ferroviários oriundos da extinta RFFSA, não necessitassem mais sobrevir com alguma dignidade.

Como de praxe, amanhã, serão apresentadas para apreciação das partes, cláusulas de um novo acordo salarial, para o período já iniciado em maio de 2019, com vigência até abril de 2020. Cláusulas estas que visam, estritamente, recompor os salários defasados em virtude da inflação do período anual anterior e mantidas atualizadas as demais condições sociais acordadas em períodos passados, mas com pouca eficiência, de vez que os cerda de 100 empregados ainda na ativa, não têm mais filhos nas creches e os vales refeições sempre desatualizados por não receberem a correção inflacionária, não atendem mais os custos da alimentação. É, portanto, uma verdadeira piada…

Somente o governo (VALEC) não enxerga que os ferroviários egressos da RFFSA e de empresas a ela agregadas, ano após ano, vêm sofrendo duplamente. Primeiro com as perdas em seu poder aquisitivo em face ao  descaso da Empresa VALEC no atendimento à categoria em seu devido tempo, ignorando a recomposição dos salários na forma estabelecida pelas leis trabalhistas em vigor no País e até mesmo pela Constituição Federal.

Certamente, a grande massa do povo brasileiro tem, ainda, em mente, a ferrovia e seus trabalhadores, como fonte de desenvolvimento, ao recordar seu trabalho diuturno na movimentação de locomotivas e vagões, levando aos pontos mas distantes de nosso torrão natal, a produção agrária, minérios, grãos, derivados de petróleo, produtos acabados de siderurgia e muito mais, alargando assim as nossas fronteiras produtivas. Isto no período em que a saudosa RFFSA operacionalizava mais de 28 mil quilômetros de linhas. Hoje, as empresas concedidas, operam menos de nove mil e transportam somente os seus próprios produtos. Os interesses da Nação Brasileira que fiquem para depois…

Com o encerramento pelo Governo Federal das atividades da RFFSA, principal empresa do País em patrimônio, praticamente, a classe ferroviária, criminosamente, ficou abandonada e, consequentemente, as suas famílias. Foram demissões em massa além de forçadas aposentadorias precoces, com valores ínfimos que mal poderiam arcar com a subsistência e tratamento de saúde.

Por sua vez, a saúde do trabalhador ferroviário, já debilitada pela idade e pelos anos dedicados ao trabalho, também não mais resiste a tão desastrosa decisão governamental, uma vez que até o PLANO DE SAÚDE autosustentável pela categoria, (PLANSFER), para o qual contribuíram por muitas décadas, foi impiedosamente liquidado por má ou duvidosa administração de governos passados. Com salários defasados, sem as correções devidas diante dos índices inflacionários, só nos resta correr para os serviços de saúde pública, em estado quase terminal. Arcar com despesas de um Plano de Saúde nem pensar…

Com as mudanças políticas ocorridas no Brasil, espelhada na eleição de outubro de 2018, com a ascensão de novos mandatários no País, esperamos que cheguem à empresa VALEC, no bojo da substituição de seus antigos dirigentes por novos, que venham imbuídos do verdadeiro espirito ferroviário, não só na condução de sua Empresa, como e, principalmente, no reconhecimento da situação de quase penúria da Classe Ferroviária, que tanto fez pela grandeza deste País.

Para finalizar, o que se espera como resultado das negociações a serem realizadas no próximo dia 17 de julho, nada mais nada menos, é que por justiça se reconheça a necessidade iminente da celebração do novo Acordo Salarial 2019/2020, com a atualização dos salários no mínimo pelos índices inflacionários de 5,07%, e das Tabelas Salarias da Classe, enquanto se espera que o Tribunal Superior do Trabalho, ponha em julgamento o Dissídio Coletivo referente a 2018 e 2019 com a correção de 1,89%, cumprindo-se o que estabelece as Leis trabalhistas do Estado Brasileiro e a Constituição Federal.

PAULO da Silva LEITE – 36

Candidato ao Conselho Deliberativo

da Fundação REFER