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Não são poucas as vezes em que compreender as metamorfoses de um governo torna-se para a população um grande desafio. Em muitas ocasiões, de acordo com a logística e as veredas a seguir, não pode haver dúvida para chegar-se à estação esperança, para todas as camadas sociais, mesmo quando certos agentes destoam do script e atrapalham o enredo traçado, com o propósito de que tudo dará certo, “no tempo e no espaço” (meu jargão).

O sentimento de confiança em quem comanda é primordial, mas, quando as coisas são turvadas, tem-se que lembrar o que disse Cristo, segundo o profeta Isaías: “Maldito o homem que confia no homem. ”

Esta preliminar é para dar-se o passo em direção ao título deste artigo, com o argumento das mudanças preconizadas. O novo governo criou o Ministério de Infraestrutura, fusionando alguns órgãos, entre esses, os Ministérios dos Transportes e o do Planejamento.

Até a edição da Lei nº 11.483/2007, os ferroviários, e não podia ser de forma diferente, eram vinculados ao Transportes; os empregados ativos da Valec nele permaneceram até a fusão. Os aposentados e pensionistas foram transferidos para o Planejamento. Com a mudança, qual, efetivamente, é o órgão (secretaria?), a que estão lotados?

 Já manifestamos que as lideranças da classe, que fez e ainda faz o trem andar, estão preocupadas. Os ferroviários ativos da Valec eram o paradigma para os reajustes salariais (benefícios) dos inativos, aos quais é assegurado o direito à “complementação salarial dos ferroviários, ” de acordo com legislação específica com vigência há quase 30 anos.

Segundo o que o governo vem anunciando, a Valec será extinta. As suas competências institucionais serão absorvidas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT. Outra estatal que está com os dias contados é a Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU.

As mudanças e alterações analíticas são muitas, e teme-se por sobreposições administrativas e gerenciais, tocantemente às medidas operacionais que têm de ser acionadas, a fim de que o País tenha o desenvolvimento esperado, cantado e decantado pelo governo Bolsonaro.

Com a cirurgia e o tempo de recuperação da saúde do ex-capitão, o governo desacelerou o rito de medidas preconizadas. A retomada exige certa “precaução no trecho” (linguagem ferroviária), isto é, imprimir velocidade precipitada é meio temerário, pois pode descarrilar o trem. O sair dos trilhos, no momento, não está sendo por velocidade. O motivo é outro. São as intromissões de terceiros que não fazem parte da “equipagem efetiva, ” na condução da composição (trem).

Não é prudente que o novo governo meta os pés pelas mãos, imprimindo aceleração que comprometa a normalidade de sua gestão, sem a segurança política no Congresso, fórum para a votação das reformas necessárias e urgentes, sem, contudo, cair no fosso da precipitação, que não levará ao resultado positivo.

Rebater com veemência essas manifestações impensadas proferidas apenas para satisfazer o ego de quem é apenas auxiliar, não é o titular, é recomendável para o bom e pleno gerenciamento do governo, nos destinos do País.

É feliz quem em Deus confia! Ligada a essa máxima está a classe ferroviária, neste início de governo, nutrindo a expectativa, mais do que isto, a esperança, de que o modo ferroviário ainda figurará como ícone de primeira grandeza para o País.

Que construção de novas ferrovias não esteja tão somente em projetos. Que, efetivamente, o Brasil volte aos trilhos, como no período da década de 40 a 90. Poder-se-á, enfim, saber em que órgão os ativos, aposentados e pensionistas estarão vinculados, “no tempo e no espaço, ” frise-se!

Genésio Pereira dos Santos/Advogado/Jornalista/Escritor