Pesquisa e edição por Fernando Abelha

A pedido do Conselho de Administração, a Trensurb abriu sindicância para apurar possíveis irregularidades na compra dos 15 trens da Série 200 e na indisponibilidade da frota – atualmente, apenas oito dos 15 trens estão aptos a circular. A frota comprada por R$ 244 milhões do Consórcio FrotaPoa – empresas Alstom e Caf – está em operação desde 2014, mas nunca funcionou como deveria.

O texto que determina a sindicância aponta que “o mau funcionamento e defeitos na fase de entrega estão correlacionados às condições contratuais de fornecimento e garantias.” Com isso, a própria Trensurb já assume que falhas no texto do contrato podem ter dado origem ao problema. Desde que os trens começaram a rodar, uma coleção de problemas apareceu: falhas nos rolamentos das rodas, infiltração de água, vazamento em amortecedores, falta de vedação da caixa de graxa e deformação das bolsas de ar.

O procedimento foi aberto pelo diretor-presidente da empresa David Borille que prefere não comentar o assunto antes da conclusão da investigação interna. Com a abertura da sindicância, Borille dá uma resposta ao Conselho de Administração, que está insatisfeito com a demora do consórcio em liberar os trens.

A ata de reunião do Conselho de Administração da Trensurb de 27 de julho determina que a empresa adote medidas administrativas ou judiciais para as constatações apontadas em relatório técnico. O documento mostra que o consórcio não atendeu 44% das exigências feitas no edital de compra dos veículos.

Até então, todas as sanções aplicadas pela Trensurb ao consórcio ficaram limitadas ao que estava estabelecido no contrato. A primeira foi de 1% do valor da compra e a segunda, de 2%. Os valores serão abatidos ao preço final pago pelos trens. Paralelo a isso, o jurídico da empresa avalia a possibilidade de entrar na Justiça para pedir ressarcimento ao consórcio pelos prejuízos causados a empresa. Internamente, dirigentes e técnicos avaliam que a direção poderia ter mais incisiva nas cobranças e punições ao consórcio.

Fontes: Zero Hora (04/09/18), Internet, Revista Ferroviária