Por Fernando Abelha

O incêndio que destruiu o Museu Nacional no bairro imperial de São Cristóvão, transformando em cinzas mais de 20 mil peças que registravam a nossa história desde o Brasil colônia, além de importantes acervos científicos do meio ambiente vegetal e animal fruto de importantes pesquisas desenvolvidas por cientistas nacionais e internacionais, acendeu uma luz amarela no caminho dos responsáveis do Ministério da Cultura, no sentido de melhor observar e proteger os prédios históricos por toda República Federativa.

Sobre o assunto, o engenheiro Hélio Suêvo Rodrigues, diretor Cultural da Associação dos Engenheiros Ferroviários – AENFER, para Preservação da Memória Ferroviária, informou que nos primeiros dias deste mês a Estação Barão de Mauá, prédio centenário tombado pelo IPHAN e hoje  totalmente abandonado e invadido por consumidores de craque, recebeu a visita de engenheiros e diretores do CREA, entre  eles o engº Alexandre Júlio Lopes, no sentido de inspecionar e planejar ações a serem tomadas a curto prazo junto às autoridades competentes para evitar que volte a ocorrer no Rio de Janeiro outra catástrofe anunciada à semelhança do que se verificou no Museu Nacional.

Hélio Suêvo ressaltou que a Estação da Leopoldina foi invadida por meliantes e consumidores de drogas, com seus escritórios (SESEF, AEEFL, CENTRAL) saqueados e ampla documentação espalhada pelas salas representando perigo iminente de ser incendiada pelos invasores.

Disse que nova visita de diretores do CREA se possível acompanhados de representantes do Ministério da Cultura e das Associações de Engenheiros (AENFER, AEEFL) está prevista para ocorrer ainda este ano, possivelmente, no final de outubro, quando, então, será divulgada a linha de ação a ser adotada após o comprometimento dos governos Estadual, Federal e da Supervia. Enquanto isso, contatos permanentes estão sendo mantidos com as autoridades do Estado, Supervia e Ministérios dos Transportes e da Cultura para que medidas emergenciais sejam adotadas voltadas ao reforço à proteção da fachada, inclusive da marquise escorada, emergencialmente, por madeiras o que poderá ocasionar, a qualquer momento, acidentes com vítimas.

Esclareceu que o prédio e entorno da Estação Barão de Mauá situa-se, administrativamente, em verdadeira desordem, terra de ninguém, pelo fato de que o prédio está dividido entre os governos estadual e federal; o pátio, gare e entorno estão à disposição da Supervia. Enfim: ninguém quer assumir nada.

O ideal é ser proposto ao Ministério da Cultura – aduziu Suêvo – que para Barão de Mauá seja transferido o Museu Ferroviário, hoje no bairro do Engenho de Dentro, mas que permanecesse fechado. Lá estão a locomotiva Baronesa, primeira a circular no Brasil, os carros do Imperador e do presidente Getúlio Vargas, além de significativo acervo ferroviário que adormecem, sujeito a saques e degradação.  Hélio Suêvo adiantou que o CREA, as Associações dos Engenheiros Ferroviários – AENFER e dos Engenheiros da Estrada de Ferro Leopoldina – AEEFL, têm como ponto de honra a busca de uma destinação nobre ao prédio da Estação Barão de Mauá.

Clique no lonk abaixo para ver na íntegra a entrevista à TV Globo,  de Alexandre Júlio Lopes, vice-presidente da AENFER e conslheiro do CREA.

Entrevista com Alexandre Júlio Lopes