Por Fernando Abelha

Antes de ser privatizado em 1997, o transporte ferroviário representava uma potência no Estado do Rio Grande do Sul. Depois disso, o que se viu foi crescente precarização do serviço que, até então, contava com 5 mil servidores e hoje chega a apenas 900. Esta é a avaliação que faz o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias do Rio Grande do Sul (Sindifergs) que, no último dia 15 de agosto, através do seu núcleo de estudos, realizou um seminário para debater a situação e buscar alternativas para uma possível retomada do setor.

O presidente do Sindifergs, João Calegari, disse que a ideia foi trazer à tona para sociedade a discussão ferroviária e seus potenciais. De acordo com ele, ao todo existem 3,2 mil quilômetros de linha no Estado, ma somente 900 deles estão em atuação. Para piorar, o uso acaba correndo apenas no período de safra. “O Rio Grande do Sul virou um cruzador de carga, não tem uma efetividade de cargas diárias”, comentou.

Discutir a situação da malha ferroviária se torna ainda mais importante, avalia Calegari, em um momento que presenciamos os impactos de uma greve de caminhoneiros. Conforme ele, as crises de abastecimento poderiam ter sido evitadas se o transporte por ferrovias fosse uma realidade. Calegari citou o exemplo de Passo Fundo, que não teve problemas nos estoques de gás, porque o município ainda utiliza essas linhas para esse tipo de carga.

Fonte: Jornal O Globo – 16/08/2018