Por Antonio Penteado Mendonça

A idade traz experiência. E quanto mais se vive, mais se aprende. Envelhecer tem vários lados, como tudo na vida. Nem todos são bons, nem todos são ruins. Cada um é cada um e cabe num determinado momento, quando a vida pega de um jeito ou de outro.

O primeiro sintoma quase cruel do envelhecimento é que, depois de um certo ponto, todos os dias têm algo em comum: dói em algum lugar.

Dizia meu pai que a dor é muito benvinda porque através dela temos certeza de que estamos vivos. O problema é quando para de doer.

 Envelhecer tem ângulos interessantes. Por exemplo, depois de uma certa idade é uma temeridade tentar dar salto mortal no trampolim da piscina. Não vai dar certo, como não dá certo andar pelas pedras das costeiras. A antiga agilidade tirou férias, foi até a Coréia do Norte e não tem data, nem hora para voltar.
Por outro lado, envelhecer dá um certo respeito, como se ficar mais velho tivesse o dom de adicionar mais sabedoria, o que não é verdade.

Envelhecer traz mais janela, e experiência é muito útil, mas não implica necessariamente em transformar os idosos em sábios. Não, apenas faz que com tenhamos visto mais coisas e isso nos mostra toda a tolice de querer nos convencer de que a terceira idade é a melhor idade.

Todas as idades são as melhores idades se você tiver consciência da idade que tem, depois que deixa de ser um bebe de colo ou uma criança mimada. A verdade é que viver é muito bom e, na hora certa, tudo é muito bom, de chupar picolé de chocolate a beber uísque ou um bom vinho.

Quem sabe um dos riscos de envelhecer seja a certeza de que dá. Tudo é possível, é só fazer. De vez em quando não dá e aí pode ser muito chato. Que o diga meu amigo José Cássio, motoqueiro da vida inteira, que acaba de descobrir que o que não dava certo há 50 anos continua não dando certo hoje. Mas se a vida ensina algo é que só se aprende tentando.

Fonte, Internet- Agência Estado