Comentários de Fernando Abelha

Recebemos oportuno texto do confrade e ilustre ferroviário Luiz Carlos Vaz, com quem tivemos a honra de trabalhar por quase duas décadas, quando na gestão da Comunicação Institucional e Marketing da extinta RFFSA – ele no RS e nós no RJ – mas sempre sob a mesma ótica de servir ao País e a ferrovia. Lembramos ao dileto companheiro que o nosso Brasil continental já não opera o transporte ferroviário nos 30 mil quilômetros de linhas do modal ferroviário. As concessionárias, no decorrer desses 20 anos, reduziram os 30 mil para menos de sete mil sucateando o que sobrou. Abandonaram passageiros e cargas geral. Eis aí o resultado. Quanto as obsevações de sua oportuna crônica comungo, plenamente, com a sua opinião.  Eis a íntegra da mensagem recebida:

Crônica do jornalista Luiz Carlos Vaz

Bom dia, meu caro Fernando:

Saiu, na edição desta segunda-feira do Correio do Povo, secção de Opinião, o seguinte artigo de minha autoria sob o título acima (estou multiplicando o texto via Facebook):

“Pelo que se tem lido e ouvido, o Brasil inteiro começa a se perguntar por que o transporte ferroviário praticamente inexiste em um país de dimensões continentais. Sim, pois se compararmos com os 8 milhões e 516 mil quilômetros quadrados do território brasileiro a extensão da malha ferroviária atual, de menos de 30 mil quilômetros, é insignificante, insuficiente para atender às necessidades básicas do país de movimentação de suas safras ou das produções industriais. 

Em países adiantados — como até já teríamos condições de ser, não fosse a corrupção desenfreada — todo o grande transporte, a grandes distâncias, é feito por trem, ficando para o caminhão a ligação entre as zonas produtoras e/ou industriais e as estações ferroviárias, onde se efetua o transbordo das mercadorias. Hoje, um motorista sai com seu caminhão do RS com destino a Natal, no RN, devendo percorrer uma distância aproximada de quatro mil quilômetros em mais de 50 horas (ininterruptas) de viagem caso não ocorram imprevistos. Mas devido ao estado de calamidade das nossas estradas, não há garantias que ele chegue ao seu destino sem antes enfrentar muitos dissabores.

A opção brasileira pelo rodoviarismo representa hoje desgaste exacerbado das rodovias, enormes riscos de graves acidentes com muitas mortes a lamentar e/ou onerando sobremaneira a previdência social no que se refere à assistência às vítimas; traduz-se também pela manutenção de policiamento ao longo das estradas. O consumo de combustível é outro fator a considerar se compararmos o rodoviarismo ao modal ferroviário. Pesquisa do IPEA mostra que o consumo de combustível por tonelada em uma ferrovia moderna equivale a apenas um quinto do consumo em uma rodovia igualmente moderna. A ferrovia MRS, em sua página, informa que um trem expresso que é usado para o transporte de contêineres é equivalente a uma frota de 50 caminhões. Já o trem de minério, normalmente composto por 134 vagões, transporta o peso equivalente a 500 caminhões.

Hoje, somos reféns do rodoviarismo, que parou o país. Não temos outra opção, nem mesmo a navegação, que é incipiente. Chegou a hora de o Brasil acordar para a ferrovia, que se transformou num caos a partir do criminoso desmantelamento da Rede Ferroviária. Afinal, era essa estatal o instrumento do Governo para estabelecer e controlar os preços dos fretes, e usada para realizar o transporte dito social. Hoje, cada um faz o que quer e bem entende, pois, a ANTT não controla nada. Coisa de Brasil!

Com minha admiração de sempre”. 

Pense nisso

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto. ” (Ruy)

 

“Educai as crianças e não será necessário punir os adultos” (Pitágoras).

 

“Pode-se enganar a todos por algum tempo, pode-se enganar alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo”.(A. Lincoln)

 

“Acima do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma de um jornal residem em seu senso moral, sua coragem, sua integridade, sua humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem-estar público, sua disposição em servir à sociedade.” (Joseph Pulitzer)

Luiz Carlos Vaz

Jornalista diplomado – Reg. Prof. MT 2255
Jornal Solidário

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