Por Fernando Abelha

Apesar do dia do Ferroviário ser oficializado em 30 de abril, data de implantação da Estrada de Ferro Mauá, primeira ferrovia do Brasil, os ferroviários oriundos da extinta RFFSA, em sua maioria, comemoram todos os anos o seu dia, em 30 de setembro, data da instalação oficial e início de operação da saudosa Rede Ferroviária Federal S/A.

Como é do conhecimento amplo, a RFFSA foi criada mediante a Lei nº 3.115, de 16 de março de 1957, que procedeu a consolidação de 18 ferrovias regionais, com o objetivo principal de promover e gerir os interesses da União no setor do transporte ferroviário, o que, rigorosamente, vinha acontecendo até a sua criminosa extinção. A RFFSA durante cerca de 40 anos prestou com eficiência serviços de transporte ferroviário, atendendo diretamente as 19 unidades da Federação, em quatro das cinco grandes regiões geográficas do País, operando uma malha que, em 1996, anteriormente à incorporação da FEPASA, compreendia cerca de 22 mil quilômetros de linhas (73% do total nacional). Assim, representava para os brasileiros melhores preços para os produtos de primeira necessidade, por aplicarem tarifas até 40% abaixo dos outros modais. Da mesma forma, as rodovias, hoje sobrecarregadas pelos caminhões, eram menos assassinas e sua conservação mais duradora. Pergunta-se: o que levou o governo a praticar o descalabro da privatização?

E tem mais: sem motivo convincente, covardemente, o ferroviário da extinta RFFSA e, consequentemente, também, da FEPASA, está hoje renegado a um segundo plano, perseguido, com parte dos seus direitos básicos à sobrevivência banidos, em total desrespeitos às leis garantidoras. Direitos legais que foram conquistados através de muito trabalho, e pelo reconhecimento do mérito operacional ferroviário, por todo o território nacional, atividades consagradas pela história do transporte ferroviário, já que a profissão remete ao transporte tanto de passageiros como de cargas. A maior constatação deste mérito está na comparação com o que existe hoje, operado pelas concessionárias em tonelagens quilômetros de cargas transportadas, com os números atingidos pela RFFSA quando em operação. Quanto ao transporte de passageiros, e cargas gerais. Sem comentários…

O trabalhador ferroviário, hoje desrespeitado, sem reconhecimento do mérito do seu trabalho, construído por mais de um século, e que tem sua importância reconhecida na história do desenvolvimento do Brasil, desde 30 de abril remete de 1854, quando a ferrovia passou a ser o grande eixo de escoamento da produção nacional, quando da inauguração da primeira ferrovia no Brasil. Obra de Evangelista de Souza, o famoso Barão de Mauá. O trecho inaugurado, com a presença do imperador Dom Pedro 2º e da imperatriz Tereza Cristina, tinha como objetivo ligar a Baía de Guanabara com a Serra de Petrópolis.

Enfim. Não adianta chorar sob o leite derramado. Destruíram a RFFSA ao entregá-la, criminosamente, aos interesses econômicos individualizado pelos concessionários apenas para o transporte dos seus produtos, erro hoje quase impossível de corrigir. Mataram a RFFSA, mas os ferroviários, embora envelhecidos, hão de resistir.