Pesquisa e edição Luis Fernando Salles

Não é nenhuma novidade que a qualidade de vida, acesso à informação e avanço na medicina vem aumentando a expectativa de vida da nossa população. Somando-se a tudo isso, a política de redistribuição de renda por parte do governo brasileiro nos últimos anos, fez com que a parcela menos favorecida da população tivesse acesso a uma alimentação melhor, elevou o IDH (índice de desenvolvimento humano) e segundo o IBGE, a média de vida dos brasileiros já passa dos 75 anos, o mesmo vem ocorrendo principalmente na Europa, contudo, essa longevidade vem trazendo cada vez mais preocupação ao setor previdenciário destes países.
Programas governamentais que garantem bolsas às famílias, não só melhoram a renda per capita como eleva escolaridade dos brasileiros, pois somente recebem benefícios àquelas famílias que mantiverem seus filhos matriculados em escolas públicas. Com maior nível de estudos e uma mesa mais farta, fez com que diminuísse ou quase acabasse com os bolsões de pobreza que existiam principalmente no Nordeste brasileiro, fazendo com que o IDH tivesse um aumento significativo, pois tal índice é composto justamente pela renda, expectativa de vida e escolaridade. Se voltarmos um pouco no tempo poderemos verificar facilmente que as famílias eram mais numerosas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, na década de 1950 as famílias tinham em média seis filhos, e a expectativa de vida estava abaixo de 50 anos. Com isso podemos deduzir facilmente que havia seis indivíduos em idade produtiva e apenas dois improdutivos, que em muitos casos, sequer chegavam a efetivar a aposentadoria, isso fazia do Brasil um país de jovens.

Hoje a taxa de filhos por família está abaixo de dois, fazendo com que em meados da próxima década nos tornemos o sexto país com mais idosos no mundo. Em países Europeus como a França, por exemplo, a expetativa de vida está acima de 82 anos, e a aposentadoria a partir de 60 anos, por isso estão enfrentando sérios problemas na previdência social daquele país, inclusive ocorrendo grande onda de protestos devido à tentativa, por parte do governo, de mudar entre outras coisas, a idade para que se comece a receber o benefício da aposentadoria.

Como podemos verificar essa tendência de um planejamento familiar com um número cada vez menor de filhos e até mesmo aqueles que optam por não os ter, é uma realidade, pessoas vivendo bem mais que em meados do século passado, mostra que estamos evoluindo, porém isso traz consequências, uma nova problemática que deve ser pensada urgentemente, buscando talvez a solução no que está sendo feito nos países do velho continente.

Fonte: Paulo Frodes – JusBrasil)