Recebemos do leitor ferroviário Paulo Pessoa, em 30 de junho último, comentário sobre a odiosa e perversa liquidação do Plano de Saúde dos Ferroviários-PLANSFER, ao interpretar a crônica “Tudo para uns, nada para os ferroviários”, publicada em 29 de junho.

MAIS UM DEABAFO

 “O PLANSFER, nós não perdemos, ele foi esvaziado na gestão do período de 2003 a 2008 e ninguém toma uma atitude para, pelo ao menos, dizer o que ocorreu e, quem fez ocorrer. Nós usuários merecemos saber, pois, contribuímos e não vamos usufruir nos momentos que mais precisamos, ou seja, hoje, quando estamos todos idosos. Restituam as nossas contribuições ou restaurem o nosso PLANSFER”. (Paulo Pessoa)

Comentários de Fernando Abelha

A gestão pelo Partido dos “Trabalhadores” no Plano de Saúde dos Ferroviários e Metroviários – PLANSFER foi desastrosa. Malbaratou o Plano de Saúde e deixou um rombo histórico de cerca de R$ 115 milhões no Serviço Social das Estradas de Ferro-SESEF, hoje, em regime de liquidação extrajudicial arbitrado pela Agência Nacional de Saúde – ANS. Atualmente, tramita na Justiça Criminal do Estado do Rio de Janeiro, alguns inquéritos instaurados pela Polícia Federal com o objetivo de apurar os desmandos da gestão dos petistas no PLANSFER.

A partir de junho de 2003, quando assumiu, o PT  encontrou uma Autarquia saneada, detentora de reservas técnicas, em torno de R$ 55 milhões, depositadas no Banco do Brasil. Estas reservas foram dilapidadas, irresponsavelmente, pelos dirigentes indicados para o SESEF pelos políticos  do PT. Como se não bastasse, no decorrer desta maledicente e incompetente gestão, somou-se um passivo de mais R$ 45 milhões deixado junto aos Hospitais, Laboratórios, médicos e Clínicas Especializadas, além da dívida trabalhista que envolve 200 trabalhadores demitidos do SESEF credores de valores que ultrapassam a R$ 15 milhões, fatores que, analisados em conjunto, motivaram a liquidação extrajudicial que penaliza a então diretoria SESEF/PLANSFER, como cerca de 10 membros do Conselho Deliberativo, designados pelo Ministério dos Transportes. Espera-se que todos respondam pela aniquilação das reservas técnicas e do passivo deixado junto a fornecedores e empregados.

Em face dessa situação, os, então, gestores do SESEF, os dirigentes da VALEC-Engenharia, sejam no Conselho de Administração ou na Diretoria Executiva, correm o risco de serem, também, atingidos pelo processo de liquidação extrajudicial com a consequente insolvência civil do SESEF, possibilitando a indisponibilidade de seus bens, assim como bloqueio de contas bancárias. Tanto no campo administrativo, representado pela Agência Nacional de Saúde, quanto no segmento das Justiças Civil e do Trabalho onde já está configurado o princípio de solidariedade, bem como, da formatação de grupo econômico, fruto da vinculação legal entre VALEC/SESEF, advinda da extinção da RFFSA, segundo parecer do Ministério Público Federal e de decisões judiciais já conhecidas.

Cumpre ao atual governo a responsabilidade de solucionar o impasse, bem como restabelecer o Plano de Saúde dos Ferroviários-PLANSFER, depois da nefanda atitude dos representantes do Partido dos “Trabalhadores” que calotearam os empregados do SESEF, os fornecedores de serviços de saúde e cerca de 25 mil ferroviários e metroviários, hoje, na sua grande maioria,  com idade média em torno de 70 anos e que contribuíram no decorrer de 25 ao PLANSFER, Plano de Saúde de Autogestão, administrado pelo SESEF e estão desde 2008 sem a indispensável assistência médica.

Isto é uma iniquidade…