Comentários de Fernando Abelha

É flagrante a revolta dos brasileiros, por todos os rincões do País, ao constatarem o abandono a que foi relegado o patrimônio da trucidada RFFSA, o maior de todas as estatais, que fora tomada de assalto pelos “amigos do rei” que agem às escondidas e ao belo sabor, sem a devida fiscalização dos órgãos competentes do Ministério dos Transportes, diga-se DENIT. Pelos registros constantes da representação assinada por integrantes do grupo de trabalho de Transportes da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão – 3ª CCR do MPF, para tratar de casos de dilapidação do patrimônio público da extinta Rede Ferroviária Federal S.A – RFFSA está fragrante a falta de fiscalização necessária a evitar as invasões de terras e das faixas de domínio, que se transformam em favelas, muitas vezes em área privilegiadas, nos centros das cidades, aonde a ferrovia chegou primeiro. Assim são, também, os descalabros com o material rodante, fazendas de produção de dormentes e muitos prédios que marcaram, através dos tempos, a nossa história. Então, cabe a nós ferroviários, indagarmos: O que motivou cometerem esta calamidade contra a RFFSA, uma instituição organizada, produtiva e de importante caráter social além de possuir o maior patrimônio físico e humano do País?

Isto foi vergonhoso…

 Ferrovias que contam história da ocupação

do país são consumidas por roubos e ferrugem

Seguindo as margens do Rio das Velhas, a estrada de ferro que já transportou trabalhadores e riquezas entre as minas de Raposos, Nova Lima, Rio Acima e Ouro Preto foi a última parte da Ferrovia Dom Pedro II a ser construída, em 1888. Os mesmos trilhos vieram a suprir, na década de 1960, a necessidade de transporte de passageiros da Grande BH, com a entrada em circulação dos trens suburbanos, extintos em 1996. Em um momento em que se tenta reativar o sistema de transporte de passageiros por ferrovias no cinturão de cidades ligadas a Belo Horizonte, caminhos como esse estão sendo perdidos pelo abandono, invasões e roubo de patrimônio público, sem perspectivas de uso econômico ou cultural.

Mas, esse é apenas um pequeno capítulo de um grande enredo de desprezo pela história, desperdício de dinheiro público e descaso com a infraestrutura de transportes que o Estado de Minas começa a contar hoje. Esse roteiro passa também pelos monumentos ao desperdício erguidos no traçado do que deveria ter se integrado à chamada Ferrovia do Aço, que ligaria Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, mas nunca operou de fato. E faz escala na Zona da Mata, onde a Ferrovia Leopoldina desaparece diante da completa inação dos órgãos do patrimônio e da área de transportes. Um pedaço da memória da ocupação do país que vai sendo engolido pela ação do tempo, pela omissão oficial e pelos saqueadores.

Em 2012, o sonho de moradores da porção Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte de ter uma ligação por ferrovia com locais de trabalho, estudo e lazer foi revivido, quando o governo estadual anunciou projetos que dependiam de verbas federais para linhas ligando Belo Horizonte a Nova Lima, Sabará, Betim, Contagem e Sete Lagoas, previstos para entrar em obras a partir de 2014. Contudo, apenas a Linha A (Betim/Belvedere via Eldorado) está em estudo de viabilidade econômico-financeira pela Metrominas. As demais “serão incluídas no planejamento metropolitano”, de acordo com a Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de BH.

A estrada de ferro de Nova Lima a Rio Acima era parte da malha concedida à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Foi devolvida, como várias outras em Minas, com a edição de resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) de 2013. Os trilhos são agora de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e as demais estruturas, como as estações, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan.

Fonte: O Estado de Minas