Por Fernando Abelha

Os projetos da nova Ferroeste tiveram inspirações de fora do país, dos Estados Unidos. A ideia é recorrer à chamada “short lines” (linha curta), que são pequenos ramais ligando empresas e propriedades rurais a uma linha principal de ferrovia.

Em relação a trechos abandonados ou subutilizados, totalizando 18 mil quilômetros da extinta RFFSA, nova lei autoriza o governo a fazer um chamamento público para saber se há investidor interessado em ter autorização para explorar trechos ferroviários abandonados, ociosos ou em processo de devolução, no mesmo modelo “short lines”.

O mundo se preparou para transportar cargas e passageiros pelos trilhos, mas no Brasil foi ao contrário e o transporte pelo o asfalto prevaleceu. A malha ferroviária nacional cresceu até a década de 1950 e chegou à maior cobertura, atingindo 31 mil quilômetros.

Depois, acabou perdendo espaço e parando no tempo.

No mundo, os Estados Unidos lideram o ranking, com 224 mil quilômetros, seguido de China, com 191,27 mil km e Rússia, com 87,16 mil km.

O sistema ferroviário dos EUA é referência pro mundo, mas sofreu uma crise no começo da década de 1980, quando perdia espaço para as rodovias. Nessa época, o sistema estava sucateado e caro. Então, a saída para voltar a ser a principal forma de transporte de cargas foram os empresários, que começaram a pegar os trechos mais desgastados e passaram a empreender por conta própria, assumindo o conserto e a operação.

O modelo foi a chamada “short line” (linhas curtas). Os “short lines” são pequenos ramais ligando empresas e propriedades rurais a uma linha principal. Hoje, o país conta com mais de 600 trechos de short lines cobrindo todo o território dos EUA e parte do Canadá.

Nos EUA, metade de todas as cargas vai pelos trilhos, levando qualquer tipo de carga. Os investimentos feitos pelas empresas giram em torno de R$ 25 bilhões por ano.

O projeto norte-americano serve de modelo para a construção da nova Ferroeste. Integrantes do plano ferroviário paranaense viajaram até os Estados Unidos para conhecer o sistema. A Câmara dos Deputados aprovou o texto base do novo marco legal das ferrovias. As mudanças nas regras eram discutidas desde 2018. A principal novidade é liberar as autorizações ferroviárias, onde novos traçados são construídos pela iniciativa privada para atender demandas específicas de transporte de cargas, identificadas pelos próprios produtores e empresas, como ocorre nos Estados Unidos e Canadá.

De acordo com o Governo Federal, algumas empresas manifestaram interesse em construir mais de 30 novas ferrovias, quase 12 mil quilômetros de trilhos em 14 estados. Nove novos traçados foram autorizados, entre eles os ramais da nova Ferroeste.

O modelo de concessão vai continuar existindo, mas o marco também prevê situações em que as atuais concessionárias vão poder migrar para um novo modelo de operação.

Fonte – Internet