Por Alexandre Said Delvaux

O crime cometido pelas concessionárias foi varrido para debaixo do tapete, pois no país das autoridades frouxas, os poderosos não temem o descumprimento das leis, afinal de contas as leis são feitas para os pobres e para os mortais, para os honestos e para as pessoas decentes. Milhares de quilômetros de ramais ferroviários foram abandonados por canalhas certos da impunidade, convictos de que nada aconteceria. Na verdade o que aconteceu foi a premiação: prorrogação dos contratos, multas esquecidas e, quem sabe, empréstimos do BNDES, para empresas que , por sua ação e omissão, causaram prejuízos incalculáveis à Nação. Basta ver o caso da VLI/FCA para constatar isso. Apesar das denúncias, absolutamente nada aconteceu .

“(…) Para Delvaux (2010), a iniciativa privada logo teve a percepção de que a desativação e abandono de alguns trechos era a forma mais fácil de reduzir os índices de acidentes e conseguir melhores resultados financeiros e operacionais nas malhas que havia arrendado.
Neste sentido, contribui para o descaso das empresas, a fraca fiscalização dos órgãos
governamentais. Para o autor, as desativações são, na prática, a erradicação dos ramais. Ele estima que 8.400 quilômetros de linhas foram desativadas ou abandonadas em todo o país após a desestatização. Como nem as concessionárias, nem a ANTT se manifestam sobre a situação, não é possível ter o número preciso da extensão desativada. Conforme Delvaux: Sem enfrentar o rigor da agência reguladora, as concessionárias começaram, logo no primeiro mês de início da operação, a abandonar as linhas estruturalmente problemáticas, recebidas na época da desestatização. O abandono dos trechos ferroviários, que ficaram sem a devida guarda, sujeitos, portanto, há depredações, furtos e ocupações indevidas.
Considerando que os contratos têm vigência de 30 anos, prorrogáveis por igual período, parece óbvia que a inércia do Poder Concedente, condena parte da malha à erradicação (2010, p. 84). (…)” citado por Aline Asturian Kerber não sua dissertação: A ferrovia no norte do Rio Grande do Sul: uma história do trecho Passo Fundo-Marcelino Ramos/RS (1957-1997)