Pesquisa e edição por Luis Fernando Salles

O Metrô do Recife corre o risco de ter a operação paralisada, no segundo semestre de 2019, se não obtiver reforço no orçamento destinado ao sistema ferroviário. A informação foi divulgada pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), após a Justiça autorizar aumento de 150% na tarifa do sistema, que sobe de R$ 1,60 para R$ 4, de forma gradual, até 2020.

De acordo com o diretor de Planejamento e Relações Institucionais da CBTU, Pedro Cunto, os custos de operação da companhia na capital pernambucana são de R$ 541 milhões. Ele diz que esse valor é superior ao que é arrecadado na cidade.

Nosso faturamento, com a tarifa atual e a regra de integração vigente hoje, está em torno de R$ 60 ou R$ 70 milhões, um déficit de R$ 480 milhões que precisamos pedir ao governo federal. Isso vem fazendo com que, nos últimos cinco anos, nossa operação esteja piorando. A gente está com trens parados, porque não tem recursos para manutenção, e com a operação em risco a partir do segundo semestre, afirma.

Estamos tentando aumentar essa receita elevando a tarifa para R$ 4. Esse é o primeiro passo, mas isso só vai chegar, no ano que vem, a uma receita em torno de R$ 130 ou R$ 140 milhões. Falta, no Recife, um segundo passo, que é a repactuação da integração tarifária, que é completamente diferente do que é vigente no resto do país. Hoje, pelos terminais integrados, quem entra pelos ônibus não paga nada à CBTU. Isso gira em torno de 54% a 56% dos passageiros do metrô, diz.

O superintendente da CBTU Recife, Leonardo Villar Beltrão, afirma que, dos 40 trens que a companhia tem no sistema ferroviário da capital, 13 estão sem funcionar. Ele diz que espera, com o reajuste, ter maior força de barganha com o governo para receber mais recursos do poder público com o objetivo de continuar a operação do sistema ferroviário.

Hoje, com o orçamento destinado ao metrô, não temos condições de operar até o fim do ano. Se não houver um reforço, teremos que paralisar em junho ou julho. Precisamos da sensibilidade do governo sobre a importância do que é o metrô para 400 mil passageiros no Recife. A liberação da tarifa vai nos facilitar bastante porque mostramos que o usuário está dando sua contribuição. Assim, temos maior força para buscar o reforço no orçamento pelo governo, declara Leonardo.

Uma dívida do governo do estado, referente ao transporte dos passageiros que entram no metrô pelos ônibus, foi judicializada, segundo Pedro Cunto.

Na capital pernambucana, segundo a CBTU, o valor da passagem não sofria aumento há seis anos. De acordo com a companhia, com o primeiro aumento, em maio de 2019, a passagem sobe para R$ 2,10. A segunda parcela do aumento escalonado entra em vigor no dia 7 de julho, passando a valer R$ 2,60. No dia 8 de setembro, entra em vigor a tarifa de R$ 3. A parcela seguinte, de R$ 3,40, começa a valer em 3 de novembro. No dia 5 de janeiro de 2020, os passageiros passam a pagar R$ 3,70. O escalonamento termina em março de 2020, quando a tarifa chega a R$ 4.

O aumento foi autorizado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), no dia 22 de abril. O reajuste teve que ser decidido na Justiça por causa de uma ação movida em Minas Gerais. Além do Recife, houve aumento em Belo Horizonte, João Pessoa, Maceió e Natal.

Fonte: G1, Revista Ferroviária