Por Emerson José Melo da Silva

Colaboração do engº Almir Gaspar

Dados da empresa ferroviária Union Pacific, dos Estados Unidos, indicam que a eficiência energética de suas locomotivas aumentou mais de 70% nos anos 80.Naquela década, 4,4 litros de diesel movimentavam, em média, uma tonelada de carga por 378 quilômetros. Nos anos atuais, a mesma quantidade de combustível já transporta, em média, uma tonelada de carga por 653 quilômetros.No caso de caminhões truques com capacidade de 15 toneladas, como, por exemplo, um modelo 1620 da Mercedes, utilizado no Brasil, o consumo de diesel para transportar uma tonelada de carga por 653 quilômetros aumenta para 12 litros, considerando um desempenho médio de 3,5 quilômetros por litro.Essa é a razão da elevada competitividade dos trens frente aos caminhões, principalmente tendo-se em vista que o gasto de combustível é o principal item de custo variável das ferrovias. Nos últimos anos os fabricantes de material rodante reduziram o peso e aumentaram a capacidade dos vagões e os operadores ferroviários , através de novas técnicas operacionais, com utilização de controle eficiente do diagrama de marcha dos trens, aumentaram muito a eficiência energética além de reduzirem, sobremaneira, a emissões de gases. A capacidade média de carga dos vagões que 30 anos atrás era de 80 toneladas hoje, em alguns casos chega a atingir 130 toneladas.Se cotejarmos eficiência energética e danos ao meio ambiente, a ferrovia é disparada o meio de transporte de carga que deve ser visto, pelo Governo, como o modal do século XXI, tal como foi o precursor no século XIX. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) calcula que a cada tonelada transportada por 1,61 quilômetro, um caminhão típico emita aproximadamente três vezes mais óxidos de nitrogênio e dióxidos de carbono que uma locomotiva.De acordo com a Sociedade Norte-Americana de Engenheiros Mecânicos, se 10% das cargas intermunicipais atualmente transportadas em rodovias fossem levadas por trens, no mínimo 2,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono seriam eliminadas da atmosfera anualmente. Já a Associação dos Ferroviários Norte-Americanos calcula que, se apenas 10% das cargas que circulam em rodovias fossem direcionadas para os trens, os Estados Unidos economizariam mais de 880 milhões de litros de combustível por ano.Apesar dos investimentos que o Governo vem realizando, tais como a Ferrovia Norte-Sul, entre Belém-PA e Panorama-SP, Ferrovia Bahia-Oeste, entre Ilhéus-BA e Figueirópolis-TO e, em fase embrionária, a chamada Ferrovia Transcontinental, que ligará o Norte do Estado do Rio, talvez o Porto de Açu, em construção pela iniciativa privada, até Boqueirão da Esperança-AC, e a Ferrovia Transnordestina com investimentos público e privado, pode-se dizer que ainda é pouco para as necessidades do País.Nesse ritmo talvez nossos netos poderão ter um eficiente transporte de carga e respirarem melhor o ar desse colosso chamado Brasil.  Fonte: