Comentários por Fernando Abelha
Pesquisa e edição jornalista Luis Fernando Salles
É flagrante a necessidade de gestões competentes nos seguimentos previdenciários oficial e privado. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 5,4% da população brasileira tinha mais de 65 anos no ano 2000. Em 2013, último dado disponível, esse percentual tinha saltado para 8,9%. Na avaliação de economistas, esse fenômeno deve ganhar mais fôlego nos próximos anos. O País, hoje o sétimo mais jovem de um grupo de nações acompanhadas pela OCDE, passará a figurar entre os que têm mais idosos.
O Brasil atualmente é o sétimo País mais jovem da OCDE. Daqui a 50 anos, seremos o 7º mais velho da OCDE, quando a nossa população de idosos será comparável com a do Japão, em torno de 30%. O Brasil tem hoje 11% e gasta 14% do PIB com previdência e assistência social. O Japão gasta os mesmos 14%. Outros dados reforçam essa transformação demográfica. Um levantamento divulgado ano passado pelo demógrafo José Eustáquio Alves, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence/IBGE) mostrou que o Brasil envelhece mais rapidamente que seus pares. O País deve demorar 50 anos para quadruplicar, de 7% para 28% da população, seu contingente de pessoas com mais de 65 anos. Na França, essa transformação demorará 204 anos. Estudo divulgado em 2016 pela pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Ana Amélia Camarano reforça essa tendência. Segundo as projeções da especialista, o número de pessoas com mais de 60 anos quase triplicará, de 12% para 33% da população, entre 2015 e 2050. Enquanto isso, o percentual de adultos considerados em idade ativa, de 15 a 59 anos, diminuirá de 66% para 58%. O Brasil tinha, em 1980, 13 adultos para cada idoso com mais de 65 anos. Hoje, essa proporção é de nove para um. A expectativa é que essa taxa caia para apenas 2,3 em 2060. Ou seja: o número de trabalhadores na ativa que sustenta o sistema previdenciário tende a diminuir. Nossa mudança demográfica é a mais rápida de todos os países comparáveis ao Brasil. O processo de envelhecimento dos países centrais demorou séculos. O nosso vai acontecer em poucas décadas. O freio no ritmo de concessão de benefícios e benesses às classes privilegiadas, principalmente as dos poderes Legislativo, militar e judiciário é visto como saída em um país onde quem está na ativa já paga caro para financiar o sistema previdenciário principalmente os trabalhadores do poder executivo. Segundo estudo do economista Pedro Nery, assessor técnico do Senado, o Brasil tem a segunda Previdência mais cara do mundo, considerando as alíquotas cobradas de empregadores e empregados. Só perde para a Itália, onde a soma das duas contribuições chega a 33%. No sistema brasileiro, a mordida é de até 31%. No Chile, a contribuição é de, no máximo, 16%, mas a maior parte (até 13%) é bancada pelo empregado.
Fonte: Internet, Jornal do Comércio, Secretaria de Previdência Social
