Pesquisa e edição jornalista Luis Fernando Salles

O impacto da recessão sobre a renda do brasileiro foi ainda mais profundo do que sobre a economia como um todo.
Desde 2014, ano de início da crise, o PIB per capita (o valor total do PIB dividido pela população) caiu 9,1%, de acordo com o IBGE. É o maior tombo no indicador desde 2000, que chegou a R$ 30.407 no ano passado.
Enquanto isso, o PIB total cresceu 0,5% em 2014 e caiu 7,2% no acumulado de 2015 e 2016.

Isso acontece porque o cálculo leva em conta tanto a queda do PIB quanto a expansão da população, de 0,9% ao ano, em média.

“É como se o bolo tivesse diminuído e mais pessoas quisessem comer. A fatia diminui”, diz Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do IBGE.
De modo semelhante, o consumo das famílias caiu 4,2% em 2016, queda ainda maior do que a contração de 3,9% já registrada em 2015.

O aumento do desemprego em 2016/2017 e do endividamento das famílias são as principais razões para o empobrecimento do brasileiro.

 A média da taxa básica de juros, de 14,1% ao ano em 2016, foi superior à de de 2015, de 13,3%.

 Brasil destoa de crescimento da economia global e tem maior queda de 2016

A retração do PIB brasileiro, de 3,6% no ano passado, se destaca não apenas por ser a mais forte entre as maiores economias mundiais, mas também por ter ocorrido em um período de retomada global.

Entre as 45 economias que já divulgaram o resultado do PIB de 2016, apenas Rússia (queda de 0,2%) e Nigéria (contração de 1,5%) também fecharam o ano com um PIB menor do que o de 2015. No caso do país africano foi a primeira retração em 25 anos.

A retração brasileira, porém, ainda deve ser desbancada pela da Venezuela. O país vizinho, em grave crise, não publicou nenhum dado trimestral de PIB no ano passado, mas analistas consultados pela agência Bloomberg estimam uma queda de 10% para 2016.

Pela previsão da Bloomberg, o PIB da Argentina também deve ter encolhido: 2,1%.

Outros países da região, no entanto, tiveram desempenhos positivos. O PIB peruano subiu 3,9% (o sétimo melhor desempenho global até agora), o mexicano, 2,3%, e o da Colômbia, 2%.

O Chile também não divulgou seu dado do PIB, mas a previsão de analistas é de alta de 1,6%. Se confirmada, será a sétima elevação seguida do PIB chileno.
Na soma dos dois últimos dois anos, a queda do PIB brasileiro só fica atrás dos registrados por Venezuela e Ucrânia (que ainda sente os efeitos do conflito com a Rússia), em um levantamento com 52 economias.
A Rússia fecha o grupo de quatro economias que estão menores que em 2014.

Fontes: Internet, VETTORAZZO, FERNANDA PERRIN e ÁLVARO FAGUNDES – Folhapress