Por Fernando Abelha

Recebemos do engenheiro Paulo Ferraz, ex-superintendente regional da extinta RFFSA, no Paraná, os comentários que se seguem sobre a propaganda enganosa da concessionária Rumo e de notícia veiculada no Jornal Gazeta do Povo, editado em Curitiba:

“Fiz parte de um grupo de trabalho que analisou na CEPHA, a pedido da Rumo, para retificar 100 mts de linha antes da Ponte São João. Eles, em paralelo, anunciaram ao Governador do Estado que com essa retificação iriam aumentar o volume de transporte na serra, em 150 % o que evitaria a construção de uma nova linha. Então foi pedido o projeto sobre todas as intervenções necessárias na serra condicionadas à apresentação de alguns documentos técnicos, como laudo sobre a capacidade limite da linha para o crescimento do volume das cargas e uma avaliação geológica sobre o impacto do novo tráfego. 

Eles não responderam e resolveram negociar com a ANTT alegando que a ferrovia ainda não era claramente destacada no tombamento da Serra do Mar. O simples corte de 100 mts não é obstáculo com pequenas contrapartidas compensatórias de investimento no patrimônio ferroviário mas, por trás de tudo isso, está a renovação das concessões e promessa de dinheiro público para eles, já que ameaçaram devolver ao Governo. 

Sobre esse blefe de que conseguiriam crescer 150 % com a linha atual debati diretamente com o vice pres. da Rumo, numa reunião de Governo, na presença dos representantes dos segmentos produtivos do Estado do Paraná. Mudou o dono mas continua a mesma ganancia por dinheiro. Viram que encurralaram a Serra Verde com um novo contrato que favorece a eles?

Ainda com relação a nota na Gazeta do Povo, acho oportuno complementar: Primeiramente nunca houve negativa do Conselho para o pedido da obra. A Rumo está inadimplente pois não apresentou os documentos solicitados. Isso causou a paralisação do processo. Como podem garantir aumento de 150 % do volume de cargas na linha atual sem um estudo da infraestrutura da ferrovia e do impacto geológico?  Segundo a alegação de que a retificação vai permitir o aumento da velocidade dos trens na serra é uma brincadeira de mau gosto, pois o ganho em 100 mts é irrelevante no tempo de percurso total Curitiba/Morretes. Também não vai possibilitar o aumento do tamanho do trem conforme pregam. 

Vocês sabem que a limitação é o tamanho dos pátios de cruzamentos, certo? A verdade é que eles compraram locomotivas, talvez numa promoção interessante, e quando pensaram em coloca-las na serra tiveram a surpresa de não passar no gabarito do trecho. 

Esses caras não são muito diferentes da ALL. Só concordam com o projeto da nova linha se tiverem garantia de serem os futuros operadores. Essa condição não tem amparo legal. Ou a Ferroeste constrói e opera ou abre para leilão de novas concessões disputando a Rumo com chineses, canadenses, indianos, americanos, e quem sabe um consórcio de Cooperativas Paranaenses. 

A Rumo não pode receber novos trechos de concessão fora da faixa arrendada pois os dois contratos que assinaram estão amarrados. Levantei essa situação e a Procuradoria do Estado confirmou. O Paraná acordou e hoje todas as forças produtivas do estado reconhecem o erro da privatização e a dilapidação do sistema ferroviário. 

Essa semana saiu uma matéria, vocês devem ter visto, dizendo que a velocidade dos trens pós privatização caiu. Esse é a maior indicação de que o sistema degradou, o patrimônio público depreciou e a ferrovia caminha para o caos. Espero que as Cooperativas do PR entrem fortes na luta por mudanças drásticas para reverter a situação inclusive colocando gente do BNDES, das Concessionárias, Min. Trans, ANTT e outros órgãos na cadeia. Esse é o triste cenário que vivemos! ”