Por Genésio Pereira dos Santos

O festejado jornalista, Ancelmo Gois, sempre brilhante e atual, em sua coluna diária, no Globo, aborda matéria relevante alertando os governos para saírem do sono de gestão negativa, em face do que se vê na dura realidade do prédio da Estação de Barão de Mauá (foto da edição de 24.07.17), da saudosa Estrada de Ferro Leopoldina, que repercute o abandono do modal ferroviário, o esquecido. Uma vergonha!

A manchete: “História Fora dos Trilhos”, retrata bem o quanto os governos não “dão tratos à bola”para as ferrovias, abandonadas e outras com obras inacabadas, “no tempo e no espaço” (meu jargão), há quase 30 anos.

Ancelmo repete o que os ferroviários e ferroviaristas vêm, há anos, cobrando das autoridades deste governo Temer e dos passados, sem que alguém, alguém escute a classe que fez e faz ainda, os poucos trens andarem em pequenos trechos. A Estação Barão de Mauá inaugurada em 1926 e outras tão bonitas quanto, estão em ruínas a olhos vistos, só as autoridades que não retiram as vendas; não se dão conta. Alerta Ancelmo que, em pouco tempo, serão necessárias obras de escoramento, a fim de que o monumento não venha a desabar. Os dois principais donos: o Estado e a União estão alheios ao que está acontecendo nas suas barbas.

A grande área do complexo Barão de Mauá foi ocupada pelo Estado e ele faz do espaço, parque de armazenamento de materiais de construção utilizados nas obras de expansão do Metrô. Para tanto, procedeu à limpeza e adequações logísticas, a fim de que a operação de embarque do material tivesse a facilitação operacional.

Enquanto isso, no mesmo pátio, ao lado, veículos ferroviários estão transformando-se em escombros e cobertos de mato, que esconde o abandono do patrimônio exposto. As Associações Fluminense e Nacional de Preservação Ferroviária; Associação de Engenheiros Ferroviários, Associações de Classe, Movimento de Preservação Ferroviária Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários e outras entidades, não descansam e, constantemente, estão batendo às portas do Ministério dos Transportes, IPHAN, ANTT, DNIT e outros órgãos públicos, pedindo providências, sem qualquer vislumbre de socorro e de um olhar de interesse.

Diz Ancelmo: “A SuperVia, pelo contrato de concessão, responde apenas pela conservação do piso da gare e das plataformas, onde não passam trens e passageiros desde 2001. Projetos para restaurar e dar uma nova finalidade à Leopoldina não faltam. Mas esbarram num calvário burocrático kafkiano que inclui ainda, claro, a tramitação pelos órgãos de defesa do patrimônio. E a crise econômica só piora a situação.”

Em meu 5º livro: “Minha crença no que creio,” num dos artigos, escrevo, pag. 98: “Sem integração dos modais, não haverá mobilidade urbana;” dando  completeza digo: com ou sem estações revitalizadas, se o modal ferroviário continuar esquecido. E estamos conversados!

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Genésio Pereira dos Santos / Advogado / Jornalista / Escritor