Edição por Luis Fernando Salles

Quem não leu ou ouviu sobre o tal “legado olímpico” que as grandes obras de transporte público deixariam para o carioca?

A mobilidade urbana, cantada em prosa e verso durante os jogos, foi o grande destaque dos noticiários em 2016. A integração do metrô com o BRT e o VLT era uma das novidades anunciadas. O Rio de Janeiro prometia uma transformação profunda no transporte público.

O carioca estava esperançoso. Pesquisa feita pelo em 2015, um ano antes dos jogos Olímpicos, constatou que 29% acreditavam que o principal benefício (o “legado”) dos Jogos seria a melhoria dos transportes públicos. E os entrevistados citavam como investimentos prioritários as novas vias de BRT  (66%) e a expansão do metrô (56%).

No entanto, uma pesquisa inédita feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra realidade distinta quanto ao famigerado legado. Hoje, além de problemas sérios de manutenção, somados a questões envolvendo custos do sistema – que enseja uma queda de braço entre prefeitura e empresas de ônibus, ligada ao congelamento da tarifa de ônibus –, o bolso do carioca demonstra que também está sofrendo…

A pesquisa da FGV aponta que o gasto com o sistema de transporte no Rio – BRTs e metrô –, em relação à integração dos dois modais, castiga a Zona Oeste e a Zona Norte, sentido Pavuna, onde se detecta uma desigualdade de acesso por conta da renda. O estudo mostra, por exemplo, que o sistema de transportes chega a comprometer 65% da renda dos moradores de Vila Paciência, na Zona Oeste carioca.

Para quem esperava uma revolução na mobilidade da cidade, o legado parece ter ficado largado. Segurança pública, despoluição da Baía de Guanabara e o uso da infraestrutura deixada pelo Parque Olímpico, são outros exemplos de um legado que não veio como anunciado.

Fonte: Diário do Transporte