mentários de Fernando Abelha
Edição: Luis Fernando Salles
Colaborações: ferroviários engenheiro Almir Gaspar e advogado Celso Paulo
A Estação Barão de Mauá – Leopoldina, juntamente com a estação Dom Pedro II – Central do Brasil, cartões postais que historicamente representaram importante marco econômico e operacional do modal ferroviário no Brasil, ironicamente tiveram a sua utilização desvirtuada e controvertida, fruto de inconsequentes decisões dos nossos governantes, que jogaram no “lixo” tão importantes e históricas edificações.

Foto: internet
A estação Dom Pedro II, no decorrer de quase todo o século passado, recebeu o importante tráfego ferroviário de cargas e de passageiros oriundos do triangulo econômico formado pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com seus trens rápidos, expressos e noturnos. Hoje, a importante estação é ocupada pelo Governo do Estado do Rio que para lá transferiu orgãos da polícia estadual. Apenas as plataformas e a grande e imponente gare servem como terminal do transporte ferroviário suburbano através da concessionária Supervia, que tem como principal acionista a conturbada Odebrecht. Pela estação Dom Pedro II transitam cerca de 700 mil pessoas por dia útil.

O histórico prédio da Estação Barão de Mauá é hoje um edifício fantasma
Por sua vez, a estação Barão de Mauá, marco histórico da ferrovia em nosso país, por registrar em seu leito o primeiro trecho ferroviário do país que ia da Praia de Mauá ao município de Petrópolis, construído durante o Império e amplamente utilizado à época pela família imperial, está hoje abandonada à própria sorte sem água e luz, transformando-se em um perigoso ponto de traficantes e meliantes. A memorável estação, terminal da Estrada de Ferro Leopoldina, operacionalizava milhões de toneladas/quilômetros de produtos agrícolas, e recebia milhares de passageiros oriundos da Zona da Mata de Minas Gerais, do Espírito Santo e do Norte Fluminense, também, com seus trens expressos, automotrizes, rápidos e noturnos, além de servir de terminal aos subúrbios da Leopoldina.
A propósito dos desmandos que destinaram às estações ferroviárias do Rio de Janeiro, o “O Globo” publicou, recentemente, matéria que aborda o abandono da estação Barão de Mauá.
“O imbróglio da reforma da antiga Estação Ferroviária Barão de Mauá (Leopoldina), na Avenida Francisco Bicalho, parece longe do fim. A Supervia anunciou, nesta segunda-feira, que obteve uma liminar suspendendo uma decisão, de janeiro deste ano, da 20ª Vara Federal do Rio que obrigava a concessionária a reparar e restaurar os danos do antigo terminal ferroviário. O procurador Sergio Suiama, do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, no entanto, afirmou que vai tentar suspender a liminar obtida pela concessionária de trens urbanos do Rio.
Na decisão favorável à empresa, que recorreu junto ao Tribunal Regional Federal, o desembargador Luiz Paulo da Silva Araujo Filho entendeu que, de acordo com o contrato de concessão, o prédio não foi transferido à Supervia. A concessionária afirma ser responsável apenas pelas “áreas de superfície da Leopoldina, que restringem-se às plataformas, gare (pátio central, onde ficam as bilheterias) e salas localizadas no andar térreo.
A decisão inicial, de janeiro, estabelecia um prazo de seis meses para o início das obras de recuperação do prédio. O descumprimento resultaria em uma multa diária de R$ 30 mil, limitada ao teto de R$ 20 milhões, e obrigava a empresa a realizar também obras emergenciais no prazo de 90 dias relativas “a todo o imóvel abrangido pela Estação Barão de Mauá de modo a evitar-se a continuidade da degradação”.
O GLOBO perguntou à concessionária como andam as reformas dos espaços de responsabilidade da empresa, previstos no contrato de concessão, mas não obteve resposta. De acordo com o procurador, porém, a empresa não realizou reformas nos espaços previstos no contrato. Sergio Suiama destaca, ainda, que a Supervia deve ser responsabilizada pelo restauro do prédio uma vez que lucrava com o aluguel da área:
— Eles enriqueceram às custas de festas que danificaram ainda mais o prédio. Receberam milhares de reais de locação daquele espaço para festa, não investiram um único centavo na remuneração do imóvel. É responsabilidade deles. Eles também não cumprem a responsabilidade deles. Não tem uma obra que foi feita deles lá.
A Supervia não comentou a declaração do procurador, mas informou que não autoriza eventos no local desde o fim de 2015.
Em dezembro de 2015, o então secretário de Transporte Carlos Roberto Osorio havia decidido transferir o escritório da pasta para a antiga Estação Leopoldina, inaugurada em 1926 e fechada em 2004. O gabinete funcionou no prédio histórico até meados de fevereiro, quando Osorio deixou a pasta.
A Estação Ferroviária Barão de Mauá foi inaugurada em 1926, inicialmente para ligar o Rio às cidades serranas de Petrópolis e Três Rios. Durante vários anos, a estação funcionou como terminal de passageiros para vários ramais do subúrbio carioca. Em 2001, o prédio foi desativado e as linhas foram transferidas para a Estação Central do Brasil.”
Fonte: O Globo

INCOMPREENSIVEL.
Acredito que tal descaso, com ferrovia, aconteça apenas, neste País chamado Brasil. história e recursos completamente abandonados.Quem são os culpados? Governo Federal, Governo Estadual, Governo Municipal, e sociedade que, não tem uma atitude pró-ativa, para defender aquilo que lhes pertence.
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O prédio da Estação Barão de Maua está com os fornecimentos de água e luz cortados. Acredito que os gabinetes das autoridades responsáveis por esse descalabros devem estar bem confortáveis. Com tudo funcionando.
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Fui filha de um ferroviário e fui muito nesse prédio lembro me que ele trabalhava em uma repartição nnawuele local hoje ais 65 anis filha de um ferroviário que eu tinha orgulho de partipar das festas.neste prédio. Hoje quando passo enfrente ad lágrimas me vem nos meus olhos pelo descaso desse predio.
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Regina
Esta é uma triste realidade. A Estação Barão de Mauá ( Leopoldina) é parte da história da ferrovia em nosso País que se reporta ao Brasil Império.
O Museu Nacion al foi totalmente destruído pelo fogo por descaso da cultura por nossos governantes, para preservação da nossa história. O prédio da Leopoldina poderá ser uma nova tragédia anunciada.
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O Brasil está morto.
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Esses governantes são canalhas. Prédios históricos, lindos, prédios que em qq país sério seria não só preservado mas colocado a visitação pública com pompas e circunstâncias. Só nos resta chorar pq eles não estão nem aí para a história do país. A única preocupação desses canalhas é com suas contas bancárias
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LAMENTÁVEL 😧…
.TODO PATRIMÔNIO SENDO DESTRUÍDO PELO ABANDONO..INFELIZMENTE, ISTO É BRASIL!
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