Comentários Fernando Abelha

Pesquisa jornalista Luis Fernando Salles

No Brasil, mesmo com a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o transporte metroviário e ferroviário de massas registram estupros, homicídios, assaltos, comportamentos inadequados, falta de informação e acessibilidade, sem que novos ganham de segurança sejam registrados.

Enquanto isso, na Argentina, país que vive crise política e econômica tão ou mais grave que a nossa, o metrô de Buenos Aires, que registra demanda de 1,7 milhões de passageiros por dia útil com a operacionalidade de seis linhas, investe US$ 1,5 milhão em soluções de TI para reforçar a segurança de funcionários e passageiros. No Rio de Janeiro, por dia útil são transportadas 780 mil pessoas em linhas. Em São Paulo são 4,6 milhões de vidas transportadas também por dia útil em seis subsistemas.

Em operação desde o mês passado, o sistema, contratado junto à NEC Argentina, foi instalado em mais de 100 estações, áreas administrativas, garagens de trens e espaços comerciais de um dos principais sistemas de transporte da cidade. Também demandou a instalação de centros de comando, mais de 600 dispositivos IP, um amplo circuito fechado de TV (CFTV), sistemas de controle de acesso e de detecção de intrusões e a integração das novas tecnologias aos sistemas pré-existentes.

Coube a NEC Argentina, que venceu no ano passado, uma licitação da Subterráneos de Buenos Aires Sociedad Estado (SBASE), implantar ainda mais de 370 câmeras de segurança, incluindo câmeras fixas de alta definição (HD), de visão noturna e do tipo PTZ dome. Também foram instaladas centrais de segurança, com 30 estações de trabalho e telões (videowalls) nos centros de monitoramento, localizados em pontos estratégicos das linhas e em delegacias de polícia. Todas com análise de vídeo para a identificação de pessoas e objetos.

Para suportar toda a operação, uma infraestrutura foi montada com cerca de 70 switches e 40 servidores de gravação e gerenciamento, centralizados e descentralizados, que funcionam com dispositivos novos e pré-existentes. Ainda foram instalados mais de 10 pontos de controle de acesso integrados ao sistema para colaboradores autorizados.

Para assegurar o funcionamento da solução, a NEC implantou um sistema de detecção de intrusão que está apto a detectar intrusões nas garagens de trens e áreas administrativas. Conta com cerca de 30 painéis de controle, 50 controladores e 300 sensores, tudo integrado ao sistema. “Ao aprimorar a segurança do metrô, elevamos a qualidade do serviço”, afirma o presidente da SBASE, Juan Pablo Piccardo. “Com a ajuda dessas novas tecnologias e câmeras, vamos poder detectar e resolver incidentes de forma rápida e efetiva”, completa o executivo. A NEC será a responsável por coordenar a manutenção do novo sistema. O metrô de Buenos Aires avalia ainda tecnologias complementares da empresa em testes conceituais e instalações demo.

Fonte: Revista Ferroviária e Convergência Digital