Por Fernando Abelha

Embora este blog se propôs a defender e comentar, preferencialmente, os direitos dos ferroviários e a uma melhor destinação às nossas malhas em que mais de 16 mil quilômetros foram abandonados à própria sorte pelas concessões privadas, achamos oportuno este momento para comentar o que, em nosso entendimento, nos espera no ano que se avizinha pelo qual sustentaremos e lutaremos ao lado da FNTF e seus sindicatos da base, pelo propósito de recuperação dos nossos salários.

Assim, no crepúsculo de 2016, após 365 dias de muitas surpreendentes notícias que aquietam a todo momento os brasileiros e, por que não dizer, aos nossos parceiros por todo o mundo, entraremos daqui a poucas horas pelo ano de 2017, ainda perplexos com o que poderá advir.

O governo transitório de Michel Temer, intensamente contestado pela oposição quanto a sua legitimidade, por  sua liderança política não representar a fonte da captação dos 50 milhões de votos obtidos pela chapa Dilma/Temer se verá, a partir de agora, em uma travessia bem mais difícil, em face do espetáculo dantesco que se espera em 2017, com o desdobramento das denúncias de corrupção e dos desmandos que abalam o País.

Michel Temer como presidente transitório, vê a sua popularidade despencar a cada momento alcançando os níveis registrados por Dilma Rousseff, nos momentos que  antecederam ao impeachment.

O governo de Michel Temer atravessa a sua fase mais difícil. Pelas análises dos estudiosos da economia nacional, em maio, quando assumiu interinamente, o desemprego estava em 11,2%. Em novembro, última estimativa, subiu para 11,8% o que penaliza a 12 milhões de brasileiros. Somente este ano 120 mil carteiras de trabalho tiveram baixa de empregos. Neste período de sete meses, registrou-se significativa queda da renda média dos trabalhadores com reajustes abaixo da inflação, caso específico dos ferroviários, entre outras categorias. Situação agravada pelo baixo desempenho social em alguns Estados da Federação, em situação falimentar, e que deixam de honrar, inclusive, os salários dos seus servidores, além de desabastecer, hospitais, escolas, creches, restaurantes populares, entre muitas outras tristes situações.

Com as continuadas linhas de desequilíbrio político provocado por delações das corrupções que motivaram substituições de alguns dos principais ministros do governo Temer e envolvimento de muitos outros colaboradores, o clima de insatisfação, no entanto, voltou a piorar e segundo o noticiário da imprensa especializada, as previsões médias mais recentes do mercado são de recuo de 3,48% do PIB em 2016 e de crescimento de apenas 0,58% no próximo ano. Fica evidente, portanto, que em termos da economia, acaba se refletindo no bolso de cada um de nós. Portanto, a população brasileira tem razões mais do que suficientes para estar insatisfeita nestes primeiros meses do governo Temer.

Por ironia do destino ou por outras razões injustificáveis e ainda desconhecidas, o presidente Temer é levado a assumir o poder central da República, amparado pela ingovernabidade de Dilma. Vê-se, também, o seu grupo político, perigosamente atingido pelas investigações da Lava Jato, mesmo ainda sem definição ampla quanto aos comprometimentos de centenas de outros políticos apontados pelas listas que se avolumam através das delações premiadas dos empreiteiros, fontes alimentadoras da corrupção das nossas elites políticas e administrativas, neste triste e melancólico momento da história do Brasil.

No entanto, qualquer cenário futuro será dependente dos desdobramentos da chamada e aplaudida Operação Lava Jato. Mesmo assim, com alguma tolerância, é possível interpretar o atual momento da gestão do presidente Temer como aquela fase em que a medicação já está combatendo os efeitos da doença sem aliviar, até então, os sintomas do mal, sinais tão esperados por todos. De tal modo, é confortante registrar nestes momentos angustiantes, a esperança que nos resta em acreditar que o esforço do tratamento vem surtindo efeito, segundo entrevista de Michel Temer à imprensa na última quinta-feira 29 de dezembro: “A PEC do limite de gastos, uma peça legislativa revolucionária na história das contas públicas brasileiras, foi aprovada; espera-se a aceleração da queda dos juros e também dados recentes mostram o início da recuperação industrial, notadamente a automotiva”.

Por sua vez, corajosamente e pela primeira vez, se propõe uma reforma da Previdência de caráter drástico, na tentativa do Congresso solucionar o problema que aflige a todos os trabalhadores que pagam para ter a esperada aposentadoria. Estão anunciadas que outras propostas seguirão ao Congresso, entres as quais as reformas tributária, política, administrativa e trabalhista, todas ansiadas pelo povo mas  que dependerá da boa vontade e isenção dos congressistas para aplicá-las sem retaliações e perdas, principalmente, dos assalariados. Acredita-se que ocorrerá neste curto espaço de tempo do governo Temer, no decorrer dos quase dois anos restantes. Com a institucionalização das reformas possa, assim, ficar abalizado o seu nome como o presidente das reformas, segundo ele próprio afirmou. Espera-se que se concretizadas essas reformas que mudem o Brasil, ampliando a governança, reduzindo a burocracia e eliminando a anarquia e a corrupção que nos atinge. Se assim acontecer o presidente terá contribuído, pelo menos, por trazer à discussão no Congresso Nacional, assuntos da maior importância.

Fonte:  Internet.