Comentários de Fernando Abelha

O Diário Oficial da União publicou em sua edição de 4 de julho deste ano, a lei 13.304, pela qual denomina “Ferrovia Engenheiro Vasco Azevedo Neto” o trecho ferroviário compreendido entre os Municípios de Ilhéus, no Estado da Bahia – BA e Figueirópolis, no Estado do Tocantins – TO.

Resta saber se os desmandos das concessionárias da extinta RFFSA já não liquidaram com este trecho ferroviário. Estamos apurando…No entanto, é um alento para a classe ferroviária, tão desprezada pelos dirigentes da Nação, ver reconhecido, embora que postumamente, pelo Governo Federal, os méritos de um engenheiro ferroviário que, no decorrer do século passado, dedicou a sua vida em projetos que contribuíram, significativamente, para o desenvolvimento nacional.

Eis a íntegra da Lei sancionada pelo presidente Michel Temer:

Presidência da República


Casa Civil


Subchefia para Assuntos Jurídicos

 

LEI Nº 13.304, DE 4 DE JULHO DE 2016.

Denomina “Ferrovia Engenheiro Vasco Azevedo Neto” o trecho ferroviário compreendido entre os Municípios de Ilhéus, no Estado da Bahia – BA, e Figueirópolis, no Estado do Tocantins – TO.

O VICE PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE   DA   REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o É denominado “Ferrovia Engenheiro Vasco Azevedo Neto” o trecho ferroviário da EF-334 (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) compreendido entre os Municípios de Ilhéus, no Estado da Bahia – BA, e Figueirópolis, no Estado do Tocantins – TO.

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 4 de julho de 2016; 195o da Independência e 128o da República.

MICHEL TEMER

Alexandre de Moraes

Maurício Quintella

Fábio Medina Osório

Este texto não substitui o publicado no DOU de 5.7.2016

Informações sobre o Engº Vasco Azevedo Neto

“Vasco Azevedo Neto nasceu em Guaxupé (MG) no dia 25 de fevereiro de 1916, filho de Vasco Azevedo Filho e de Josefina Costa Azevedo. Seu pai foi deputado federal pela Bahia de 1951 a 1971, e seu avô, Vasco Azevedo, foi deputado estadual por Minas Gerais, entre 1899 e 1902.

Formou-se em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade da Bahia em 1939. Trabalhou como engenheiro de projetos no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) de 1941 a 1942. Nos dois anos seguintes exerceu a função de chefe da comissão de estudos e projetos da ligação ferroviária norte-sul; Diretor-técnico da Estrada de Ferro de Nazaré (BA); O engenheiro Vasco Azevedo Neto defendeu, ao longo de sua vida, a construção da ferrovia, salientando sua importância para a dinamização da economia baiana e, especialmente, a integração da região oeste com o litoral baiano.

 Para viabilizar a implantação da ferrovia, Vasco Neto chegou a publicar um amplo estudo a respeito das vantagens com a construção da Ferrovia de Integração para o estado da Bahia, observando a redução de custos do transporte de insumos e produtos diversos, o aumento da competitividade dos produtos do agronegócio e a possibilidade de implantação de novos polos agroindustriais e de exploração de minérios, aproveitando sua conexão com a malha ferroviária nacional. Além da Ferrovia Oeste-Leste, seu grande sonho era ver a América Latina ligada por uma hidrovia, ou seja, interligada por rios. Lutou veementemente contra o fim da ferrovia, foi visionário quando pensou em álcool como combustível, época em que nem se pensava que hoje seria tão utilizado; O traçado da atual Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) é inspirado no projeto denominado “Ferrovia Transulamericana”, de sua autoria. O projeto por ele concebido pretendia ligar os dois oceanos por meio de um complexo rodoviário e ferroviário, que passaria pelos Andes e chegaria a Puerto Bayovar, no Peru. “A estrada nunca andou porque poderes ocultos tinham medo que o Brasil se integrasse com os tigres asiáticos”

Fonte: Diário Oficial da União

Colaboração de Silvio Ferreira