Recebemos do engenheiro Sergio Iaccarino artigo técnico pelo qual analisa o transporte intermodal no Brasil. O estudo técnico, em face a sua importância e atualidade, será editado em seis capítulos veiculados aos domingos. 

A INSUSTENTÁVEL REPARTIÇÃO INTERMODAL DE TRANSPORTES NO BRASIL

Sergio Iaccarino (sergio.iaccarino@transportes.gov.br): Engenheiro Civil com Doutorado em Engenharia de Produção (Inovação Tecnológica e Organização Industrial) e Mestrado (Projetos Industriais e Transportes), ambos pela COPPE/UFRJ; Especialista Sênior em Infraestrutura do Ministério do Planejamento, ora em exercício no Ministério dos Transportes; Pesquisador do Programa “Modelagem de Sistemas Complexos em Logística e Transportes” no INRETS, França; Superintendente de Planejamento da STU/ RJ e Chefe do Departamento Geral de Programas da Diretoria de Transporte Metropolitano da RFFSA (Rede Ferroviária Federal); Chefe da Coordenadoria de Apoio da Diretoria de Planejamento e Assessor da Presidência da     CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos).

A distribuição proporcionada pela Matriz de Transportes Brasileira é perversamente voltada para o modo de transporte rodoviário, detentor de 63% dessa repartição, o que ocasiona um sensível impacto negativo sobre o meio-ambiente, além de – na maioria dos casos – representar um incremento acentuado dos custos logísticos.

O crescimento sustentável surge como oportunidade para que a gestão da informação exerça papel preponderante na definição de uma eficaz e efetiva logística de transporte, na qual não basta transportar e sim transportar melhor. Não é mais suficiente ter apenas a informação disponível, assumindo a retrógrada postura  de que “dado bom é o que existe” e sim a atitude proativa de que dado bom é aquele que é utilizado de forma útil e consistente nas decisões de transporte e logística.

 

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Gráfico da participação dos modos de transporte no Mundo
Fonte: Estudo de transporte de cargas no Brasil: ameaças e oportunidades para o desenvolvimento do país – COPPEAD – CNT

No Brasil o modo ferroviário quando é utilizado, o é para pequenas distâncias, enquanto o modo rodoviário é o escolhido para longas distâncias, situação aguda que potencializa a ineficiência do sistema de transporte nacional. Uma comparação da eficiência entre os modos de transporte terrestre, segundo a distância percorrida e o peso da carga e as faixas de competitividade de custos por faixas de eficiência dos modos de transporte rodoviário e ferroviário são evidenciadas no gráfico a seguir:

 

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Gráfico 2 – Comparação de eficiência entre os modos de transporte terrestre
Fonte: CNT – Transporte e Economia – O Sistema Ferroviário Brasileiro – 2013

O desenho a seguiri apresenta uma visualização do que podemos denominar de faixas de eficiência para cada um dos três principais modos de transporte. É lógico que não existe um limitador natural/ físico na quilometragem “impedindo” que sejam ultrapassadas essas faixas. O limite é dado pelo bom senso e os transportadores devem estar cientes de que tais faixas delimitadoras de eficiência são aquelas nas quais se obtém maior economicidade e – em conseqüência – maior lucratividade.

 

 

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Gráfico da competitividade de custos estratificada nas faixas de eficiência dos três principais modos de transporte.
Fonte: CNT – Transporte e Economia – O Sistema Ferroviário Brasileiro – 2013   Elaborado pelo autor

No entanto, caso seja realizada uma comparação de custos inerentes a cada modo de transporte é percebida a prevalência do modo aquaviário em relação aos demais, conforme quadros a seguir, os quais caracterizam as três eficiências: A AMBIENTAL, a ECONÔMICA E A ENERGÉTICA.

 

EFICIÊNCIA AMBIENTAL

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Fonte:PNLT – Ministério dos Transportes e apresentação da Login no Congresso da SOBENA – 2012

EFICIÊNCIA ECONÔMICA

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Fonte: Custos Logísticos na Economia Brasileira, COPPEAD-UFRJ, 2006

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

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Fonte: Inventário Brasileiro de Emissões dos Gases do Efeito Estufa, MCTI, Estudo WMF