Por Julia da Silva

Fonte: Internet – TNH 1
Operando entre o fim do outono e o início da primavera no Hemisfério Norte, um trem panorâmico vem chamando atenção de viajantes do mundo todo ao cruzar, por 42 quilômetros, uma das paisagens mais impressionantes da Europa.
O chamado Arctic Train parte da cidade de Narvik, no norte da Noruega, e segue até a fronteira com a Suécia, cortando montanhas cobertas de neve, vales isolados e fiordes de águas azul-escuro. O passeio ganhou fama por oferecer uma combinação rara: conforto, silêncio e a chance real de observar a aurora boreal longe da poluição luminosa.
Vagões de vidro e uma ferrovia marcada pela história
O principal diferencial da viagem está na arquitetura dos vagões. Tetos e laterais transparentes permitem visão ampla do céu e do horizonte, criando uma sensação de imersão total no cenário ártico.
Como o trajeto atravessa áreas praticamente desabitadas, as luzes naturais do fenômeno aparecem com mais intensidade, o que transforma cada percurso em uma experiência única.
Durante o caminho, o trem faz paradas estratégicas em antigas estações, como Katterat, a mais de 370 metros de altitude. Ali, os passageiros descem para caminhar pela neve, observar o entorno e se aquecer em fogueiras montadas ao ar livre, enquanto aguardam o espetáculo das luzes no céu. Pequenas construções históricas, como em Rombak, ajudam a contar a trajetória centenária da linha.
A rota segue pela famosa linha de Ofoten, inaugurada em 1902 após décadas de obras em terreno montanhoso extremo. Mais de cinco mil trabalhadores participaram da construção, que exigiu túneis, pontes e cortes em rochas. Além de seu valor turístico, a ferrovia teve papel estratégico na Segunda Guerra Mundial, quando Narvik foi palco de disputas por seu corredor logístico.
Hoje, o trem avança em ritmo tranquilo, permitindo que os viajantes fotografem e contemplem fiordes, picos e cachoeiras congeladas.
