Colaboração de Luiz Carlos de Souza
Mitsui jogou a toalha após perder nos trópicos, segundo gente do setor, cerca de R$ 1 bilhão

Em março, a Mitsui passa a Supervia para a Nova Via Mobilidade, consórcio que venceu, quarta-feira passada, a licitação para operar os trens urbanos no estado do Rio. A gigante japonesa, cujas raízes remontam ao século XVII, assumiu a concessão dos trens da Central em 2019, mas jogou a toalha após perder nos trópicos, segundo gente do setor, cerca de R$ 1 bilhão.
Fonte: Coluna Ancelmo Gois – Jornal O Globo
Nota da Redação
Por Fernando Abelha
O milagre se realizou através de uma gestão competente
Em meados da década de 70 do século passado, a então Divisão Especial Subúrbios do Grande Rio, estatal criada no governo Gaisel, sob a gestão do diretor presidente coronel Carlos Aloísio Weber, elevou, em pouco mais de um ano o volume transportado de passageiros dos subúrbios do RJ, de 300 mil para 1.000.200 mil ( um milhão e duzentos mil) por dia útil. Para tanto, contou com o reforço de 50 TUEs (trem unidade elétrico) adquiridos no Japão da fábrica japonesa Mitsui, o que possibilitou a redução dos intervalos entre um trem e outro.
Após a chegada das novas unidades elétricas, os cinco sistemas ferroviários dos suburbios do RJ ( Deodoro, Santa Cruz, Japeri, Leopoldina, Belfor Roxo e ainda os de bitola estreita, Vila Inhomirim e Guapimirim) passaram a contar com verdadeiro metrô de superfície, com intervalos de cinco minutos entre cada composição. Para tanto, reforçou os disjuntores das subestações de energia elétrica, murou toda a faixa suburbana, com fechamento de muros em concreto armado e reforçou a Guarda Ferroviária, evitando, assim, a evasão de renda e aumentando a segurança do transporte.
Criou um sistema de informações aos passageiros, com plantões de 24 horas, através do qual a imprensa, passageiros e empresas obtinham, na hora, informações da circulação ferroviária. Na Gare de D.Pedro II, um painel eletrônico à semelhança dos aeroportos, informava, continuadame, a saída e chegada das composições, para cada sistema. Enfim, o sistema tornou-se, em pouco tempo, autosustentável e parte da população atendida no seu ir e vir com segurança, conforto e rapidez. Na época, estudos mandados realizar confirmaram que a demanda reprimida dos subúrbios do Grande Rio, era em torno de 3.5 milhões de passageiros, por dia útil.
Do fracasso da gestão da Mitsui sabe-se que o Governo do Estado não honrava com repasse dos recursos referentes às gratuidades e outros, enguato que a guarda ferroviária fora entregue à Polícia Militar, que não dispunha de efetivo suficiente para evitar roubos de fios e a segurança mínima necessária às composições, entre outras dependência não honradas. Daí o desinteresse da Mtsui em permanecer na operação ferroviária do RJ.
